Alta nas vendas de planners e agendas em 2025

A busca por organização e desaceleração marca o aumento nas vendas.

Alta nas vendas de planners e agendas em 2025
Aumento na venda de planners e agendas no final do ano. Foto: Arquivo pessoal

Jovens buscam desacelerar a rotina e optam por planners físicos, impulsionando as vendas no final do ano.

As vendas de planners e agendas físicas têm se destacado no final de 2025, especialmente entre os jovens que buscam desacelerar suas rotinas cada vez mais aceleradas. Essa tendência crescente aponta para um retorno ao uso de ferramentas analógicas, que prometem não apenas organização, mas também momentos de pausa e reflexão em meio ao cotidiano corrido.

O fenômeno do planner físico

A publicitária Gabriela Brito, de 27 anos, exemplifica essa mudança. Após anos usando plataformas digitais como Notion e Trello, ela decidiu retornar aos planners físicos, buscando recuperar sua criatividade e o hábito de escrever. “Sinto que a tecnologia limita a minha criatividade”, afirma. Essa busca por desconexão das telas tem se mostrado comum entre os consumidores, que estão redescobrindo o prazer de anotar à mão suas metas e objetivos.

Na Shop Figlia, a fundadora Marina Mie Murakoshi, de 23 anos, relata que o pico de vendas de seu planner ocorre no fim do ano, com um crescimento notável logo após o lançamento dos novos modelos. Os números impressionam: em apenas 12 minutos, suas vendas já igualaram metade do total do ano anterior. Para ela, o planner é mais do que uma simples ferramenta de organização; é um espaço de pausa e equilíbrio, refletindo um desejo de bem-estar entre os compradores.

O impacto do final do ano nas vendas

Deise Santos, fundadora da papelaria Organizando a Vida, observa que os meses de dezembro e janeiro concentram a principal temporada de vendas, com um aumento no faturamento entre 30% e 60%. A procura por planners e agendas datadas começa em outubro e se mantém forte até o início do ano seguinte. A demanda por produtos de auto-organização tem se mostrado consistente, com lojas especializadas como a Paperview também relatando um aumento nas vendas.

Angela Bufarah, fundadora da Paperview, enfatiza que as novas tecnologias não competem diretamente com os planners físicos. “Os aplicativos são ótimos para alertas, mas o planner de papel oferece um espaço para reflexão e escrita à mão”, comenta. Para muitos, essa prática se alinha com hábitos de autocuidado, permitindo uma organização mais consciente das prioridades diárias.

O valor do papel na era digital

Os preços dos planners variam entre R$ 96 e R$ 329, dependendo de fatores como tamanho, personalização e materiais. Alexandre Martins Fontes, presidente da ANL (Associação Nacional de Livrarias), observa um crescimento acentuado nas vendas de agendas e planners. “Em outubro, vendemos três vezes mais do que a média anual, e em dezembro, esse número chega a dez vezes mais”, destaca.

Esse fenômeno não se limita às papelarias. As livrarias também estão se adaptando a essa demanda crescente, ampliando suas ofertas para incluir mais itens de papelaria. A Martins Fontes, por exemplo, passou a vender não apenas livros, mas também uma variedade de produtos de papelaria, atraindo novos públicos.

Conclusões e perspectivas futuras

A tendência crescente por planners e agendas físicas revela um anseio por organização, autocuidado e desaceleração. À medida que o ano avança, esse mercado parece destinado a continuar em expansão, refletindo as necessidades de um público jovem que busca equilibrar a produtividade com momentos de reflexão e pausa. O retorno ao uso de papel pode indicar uma nova fase de consumo, onde o analógico encontra seu espaço em um mundo digitalmente saturado.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Arquivo pessoal