Pesquisa revela que Alzheimer está atrás apenas do câncer entre os maiores temores dos brasileiros, destacando desafios no diagnóstico e tratamento

Pesquisa indica que Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, ficando atrás apenas do câncer e à frente de Parkinson e Aids.
Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, segundo pesquisa
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 9 de janeiro de 2026 revelou que Alzheimer é a segunda doença que os brasileiros mais temem para familiares ou amigos, ficando atrás apenas do câncer. Entre os 2.002 entrevistados com mais de 16 anos, 13% indicaram o Alzheimer como maior preocupação, superando doenças como Aids e Parkinson. A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), destaca que esse temor está ligado principalmente ao desconhecimento e ao estigma que envolvem a doença, fatores que dificultam o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento.
Desafios no diagnóstico e seu impacto no tratamento do Alzheimer
Apesar do receio, a pesquisa mostra que apenas 4% dos entrevistados consideram fundamental obter o diagnóstico de Alzheimer o quanto antes para o sucesso do tratamento, em contraste com 84% que pensam assim sobre o câncer. Além disso, a maioria reconhece a importância de procurar um médico ao notar os primeiros sintomas, mas 60% admitem que na prática a busca por ajuda costuma ocorrer apenas quando os sinais já estão avançados. A geriatra Claudia Suemoto, da USP, aponta que o subdiagnóstico é um desafio significativo no Brasil, onde cerca de 80% dos casos de demência não são identificados, uma taxa maior que em outros continentes, o que pode comprometer a eficácia das intervenções.
A influência do envelhecimento populacional no aumento dos casos
Com o envelhecimento da população brasileira, cresce o número de pessoas que convivem com alguém diagnosticado com demência, incluindo Alzheimer. A pesquisa indica que 41% dos entrevistados conhecem alguém que recebeu esse diagnóstico. Segundo especialistas, o aumento desses casos exige maior atenção da sociedade e do sistema de saúde para o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado, garantindo melhor qualidade de vida aos pacientes e seus familiares.
Mitos e realidades sobre a doença de Alzheimer
Ainda há um forte equívoco de que a demência é uma consequência natural do envelhecimento, o que não é verdade. A doença é caracterizada por um declínio cognitivo que interfere nas atividades diárias, como dificuldades na comunicação, planejamento e execução de tarefas previamente habituais. Celene Pinheiro ressalta que o tratamento precoce pode ajudar pacientes a manterem autonomia por anos, com medicação, atividades físicas e estimulação cognitiva, mantendo uma vida social ativa e produtiva.
A importância da conscientização e procura por ajuda médica
Especialistas reforçam a necessidade de derrubar o estigma para que mais pessoas busquem avaliação médica ao perceberem alterações cognitivas, independentemente da idade. Mudanças significativas no comportamento, memória ou organização devem ser investigadas para diagnóstico diferencial, já que sintomas semelhantes podem estar associados a outras condições tratáveis, como depressão ou alterações metabólicas. Essa abordagem pode melhorar o prognóstico e permitir intervenções mais eficazes.
O Alzheimer é uma condição complexa e desafiadora, mas a combinação de maior conscientização, diagnóstico precoce e tratamento adequado pode transformar a experiência de pacientes e familiares, minimizando o impacto da doença na sociedade.
Fonte: bemparana.com.br





