Anm aposta em boom dos minerais críticos para reforçar estrutura

Agência Nacional de Mineração busca superar limitações orçamentárias com avanço do setor de minerais estratégicos

Anm aposta em boom dos minerais críticos para reforçar estrutura
Sede da Agência Nacional de Mineração, responsável pela regulação do setor mineral no Brasil.

A ANM enxerga no boom dos minerais críticos uma chance para fortalecer sua estrutura, apesar dos desafios orçamentários.

O boom dos minerais críticos como oportunidade para a ANM

O boom dos minerais críticos tem sido um fator determinante para a Agência Nacional de Mineração (ANM) buscar o reforço de sua estrutura em 2026. Essa oportunidade surge em meio a um cenário de restrição orçamentária e déficit de pessoal, mas também de crescente demanda por minerais estratégicos usados na transição energética, indústria e defesa. Mauro Henrique Moreira Sousa, diretor-geral da ANM, destaca que o país está despertando para a importância desses recursos e que a agência quer garantir um ambiente de investimento seguro e confiável.

Contexto da criação da divisão específica para minerais críticos na ANM

Em 2025, a ANM criou uma divisão voltada exclusivamente para minerais críticos e estratégicos, resposta direta ao aumento de projetos relacionados a esse segmento. Essa medida reflete a ambição de posicionar o Brasil como protagonista em minerais como lítio, terras raras, cobre e níquel, essenciais para o desenvolvimento tecnológico global. A criação dessa divisão também sinaliza a intenção da agência de modernizar a regulação e aprimorar a fiscalização do setor, visando maior previsibilidade para os investidores.

Desafios orçamentários e impacto na fiscalização e regulação

Apesar da ambição crescente da ANM, a agência opera sob forte pressão orçamentária, enfrentando cortes e contingenciamentos que comprometem suas funções. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que esses cortes afetam atividades essenciais, como fiscalização de barragens, gestão de rejeitos e combate à mineração ilegal. A ausência de autonomia financeira plena, mesmo com a previsão legal de 7% da arrecadação da CFEM para a ANM, dificulta o uso integral dos recursos, limitando investimentos em tecnologia e atendimento. Em 2025, por exemplo, embora a arrecadação da CFEM tenha sido de R$ 7,91 bilhões, a agência não conseguiu acessar integralmente os R$ 550 milhões previstos para o seu orçamento.

Importância de uma ANM mais robusta para o setor mineral brasileiro

O fortalecimento da ANM é visto como fundamental por mineradoras e entidades do setor para reduzir atrasos regulatórios, aumentar a previsibilidade e destravar investimentos em um mercado global altamente competitivo. A agência desempenha papel central na análise de processos minerários, fiscalização de barragens e arrecadação da CFEM, sendo essencial para garantir segurança e sustentabilidade das operações. Sem uma estrutura fortalecida, o Brasil corre o risco de perder competitividade na corrida internacional pelo fornecimento de minerais críticos, comprometendo seu potencial econômico e estratégico.

Cenário atual e perspectivas para a ANM e o setor mineral

Em outubro de 2025, a ANM alertou autoridades governamentais sobre a insuficiência de recursos para manter atividades essenciais, evidenciando o risco de paralisação de fiscalizações e ações contra irregularidades no setor. A expectativa agora é que o avanço da agenda dos minerais críticos e a criação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) contribuam para maior atenção governamental e recursos adequados. O momento é estratégico para que a ANM alinhe sua capacidade operacional à ambição do país, consolidando-se como órgão regulador capaz de apoiar o crescimento sustentável da mineração brasileira.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br