Pesquisa relaciona distúrbio do sono com desenvolvimento da doença neurodegenerativa

Estudo revela ligação entre apneia obstrutiva do sono e aumento do risco de Parkinson.
Apneia obstrutiva do sono e sua relação com a doença de Parkinson
Em um estudo recente, pesquisadores descobriram uma conexão entre a apneia obstrutiva do sono e o aumento do risco de desenvolver a doença de Parkinson. A pesquisa, que analisou os registros médicos de mais de 11 milhões de veteranos americanos entre 1999 e 2022, revelou que aproximadamente 14% dos participantes apresentavam apneia do sono. Aqueles diagnosticados com este distúrbio tinham quase duas vezes mais chances de desenvolver Parkinson em um período de seis anos.
A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por colapsos parciais ou totais das vias aéreas durante o sono, levando à falta de oxigênio e a um descanso não reparador. De acordo com a Associação Médica Americana, esse distúrbio afeta milhões de pessoas e frequentemente passa despercebido.
Efeitos do tratamento na apneia do sono
O estudo, publicado na revista Jama Neurology, também destacou os benefícios do tratamento da apneia do sono com terapia de pressão positiva nas vias aéreas (CPAP). Aqueles que iniciaram o tratamento logo após o diagnóstico de apneia apresentaram uma redução significativa nos casos de Parkinson. Gregory Scott, um dos coautores do estudo, enfatizou que, embora a apneia não garanta o desenvolvimento da doença, ela aumenta consideravelmente as chances.
Os sintomas da apneia incluem ronco, falta de ar, fadiga mesmo após uma noite completa de sono e frequentes despertares noturnos. Já a doença de Parkinson é associada a uma variedade de sintomas, incluindo tremores, dificuldades motoras e problemas de equilíbrio.
Implicações e considerações adicionais
Danny Eckert, especialista em apneia obstrutiva do sono, considera a descoberta uma contribuição valiosa para a pesquisa existente, sugerindo que a interrupção do sono pode ter consequências adversas significativas na saúde neurológica. Ele observou que outros distúrbios do sono, como o transtorno comportamental do sono REM, também foram associados à doença de Parkinson.
Embora o estudo não prove que a apneia cause diretamente a doença, ele abre novas avenidas para pesquisas futuras sobre a saúde do sono e seu impacto em condições neurodegenerativas. Kin Yuen, médica de medicina do sono, destacou que a pesquisa é coerente com a ideia de que um sono de má qualidade está ligado a piores resultados neurológicos.
A teoria sugere que a falta repetida de oxigênio, resultante da apneia, pode prejudicar a capacidade do cérebro de se reparar durante o sono. Lee Neilson, outro autor do estudo, afirmou que a interrupção do fluxo de oxigênio pode comprometer a função neuronal, contribuindo para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas ao longo do tempo.
Conclusão
Esses achados ressaltam a importância do diagnóstico e tratamento adequados da apneia obstrutiva do sono, não apenas para melhorar a qualidade do sono, mas também para potencialmente reduzir o risco de doenças neurodegenerativas como o Parkinson. As implicações desse estudo são significativas, pois destacam a necessidade de aumentar a conscientização sobre a apneia do sono e suas consequências para a saúde a longo prazo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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