Apoio emocional reduz risco de depressão em idosos, revela estudo global

Pesquisa internacional destaca a importância dos vínculos afetivos na saúde mental da terceira idade

Apoio emocional reduz risco de depressão em idosos, revela estudo global
Filha leva a mãe idosa ao médico – Sarcifilippo por Pixabay

Estudo mostra que o apoio emocional é mais eficaz que ajuda prática para prevenir sintomas depressivos em idosos.

Apoio emocional na depressão: influência comprovada em idosos no estudo internacional

O apoio emocional na depressão em idosos foi o foco principal de uma meta-análise internacional publicada em outubro no American Journal of Epidemiology. A pesquisa, realizada com quase 24 mil participantes de países como Brasil, Austrália, China, Alemanha, Índia, Coreia do Sul, Suécia e Estados Unidos, destacou que ter vínculos afetivos fortes e suporte emocional está diretamente associado à redução dos sintomas depressivos na velhice. A geriatra Thais Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita, salientou que essa constatação reforça a importância das relações interpessoais para a saúde mental de idosos.

Diferenças entre apoio emocional e apoio instrumental na saúde mental do idoso

O estudo diferenciou o suporte emocional da ajuda instrumental, apontando que o primeiro implica em ter alguém para conversar, acolher e proporcionar segurança afetiva. Já o apoio instrumental refere-se à assistência prática, como auxílio nas tarefas diárias – tomar banho, trocar de roupa ou levantar da cama. Embora fundamental, o apoio instrumental nem sempre protege contra a depressão e, em alguns casos, pode estar associado a um aumento dos sintomas depressivos, principalmente quando simboliza a perda da autonomia do idoso.

Impactos da perda de autonomia e isolamento social na depressão dos idosos

Receber ajuda prática pode evidenciar uma redução da independência funcional, o que representa uma fonte significativa de estresse para idosos que antes eram autônomos. Esse fator, aliado ao isolamento social, é um dos principais desencadeadores da depressão na terceira idade. O estudo revelou que a solidão e a falta de suporte emocional agravam os quadros depressivos, aumentando o risco de mortalidade, piora de doenças crônicas, declínio cognitivo e até suicídio.

Desafios e recomendações para a medicina no cuidado emocional do idoso

Thais Ioshimoto destaca que identificar idosos com pouco suporte emocional demanda tempo e sensibilidade, recursos escassos no atual modelo médico. O vínculo médico-paciente é fundamental para que aspectos sociais e emocionais sejam revelados, pois, segundo a especialista, “nada substitui uma boa conversa” para avaliar o apoio emocional recebido. A crítica à medicina atual reside no foco frequentemente restrito a resultados econômicos, deixando de lado o olhar humanizado e integral ao paciente idoso.

Estratégias comunitárias para fortalecer o apoio emocional e prevenir a depressão na velhice

O estudo sugere investir em estruturas que favoreçam a convivência social, como grupos comunitários, redes de apoio e atividades intergeracionais, sobretudo nos centros urbanos. Esses ambientes promovem vínculos afetivos essenciais para o envelhecimento saudável e ativo. A médica reforça que idosos com suporte afetivo, seja da família, amigos ou comunidade, tendem a viver mais e com melhor qualidade de vida, evidenciando a importância de políticas públicas que estimulem o apoio emocional na terceira idade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br