Índice revela queda no desempenho matemático de jovens que concluem o ensino médio até os 18 anos, sinalizando desafios estruturais na educação brasileira

Aprendizado em matemática recuou para menos de 30% entre jovens de todos os estados brasileiros após a pandemia de Covid-19, aponta Índice de Inclusão Educacional.
Queda do aprendizado em matemática entre jovens após a pandemia de Covid-19
O aprendizado em matemática entre jovens que concluem o ensino médio até os 18 anos sofreu uma queda que atinge todos os estados brasileiros entre 2019 e 2023, segundo o Índice de Inclusão Educacional (IEE). Nenhum estado brasileiro conseguiu ultrapassar a marca de 30% de alunos com proficiência adequada na disciplina, evidenciando um retrocesso significativo na educação matemática nacional. David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura e cocriador do IEE, destaca que essa geração sofreu um impacto profundo da pandemia, mas que o problema também evidencia falhas estruturais no ensino de matemática do país.
Impacto regional e análise dos dados do Índice de Inclusão Educacional
O IEE, que combina dados do Saeb, do Censo Escolar e da PNAD Contínua, revela que a diminuição do aprendizado afetou tanto estados do Sul e Sudeste, que antes apresentavam melhores índices, quanto os estados do Norte e Nordeste, que já registravam baixos níveis de proficiência. São Paulo, líder em 2019 com 35,2%, despencou para 24,7% em 2023. Goiás e Paraná também apresentaram quedas notáveis, assim como o Distrito Federal e Espírito Santo. No Norte e Nordeste, estados como Amapá, Pará e Maranhão mantiveram os menores índices, todos abaixo de 12%. Esse cenário compromete a formação básica dos jovens e aponta desigualdades regionais persistentes.
Desafios estruturais e ausência de políticas específicas para o ensino de matemática
A avaliação do IEE indica que o problema do aprendizado em matemática vai além da pandemia e está diretamente ligado a questões estruturais no sistema educacional brasileiro. Segundo David Saad, o país possui programas bem definidos para alfabetização, mas carece de políticas públicas específicas e metas claras para a disciplina de matemática. Essa lacuna compromete a elaboração de estratégias eficazes para melhoria do ensino e do desempenho dos estudantes, evidenciando a necessidade de maior investimento e foco no desenvolvimento curricular e formação docente nessa área.
Comparação com o desempenho em língua portuguesa evidencia potencial para recuperação
Enquanto o aprendizado em matemática apresentou queda, os indicadores de proficiência em língua portuguesa mantiveram-se estáveis ou até registraram crescimento em alguns estados entre 2019 e 2023. Estados como Espírito Santo, Ceará e Paraná mostraram avanços na proporção de jovens com conhecimento adequado na disciplina. Essa diferença sugere que uma abordagem estruturada e programas direcionados podem gerar resultados positivos, indicando que há caminho para reverter a crise no ensino de matemática se políticas similares forem adotadas.
Consequências para o futuro educacional e econômico do país
A queda no aprendizado em matemática tem implicações significativas para o futuro dos jovens e para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. A matemática é fundamental para o raciocínio lógico, resolução de problemas e habilidades essenciais para diversas carreiras técnicas e científicas. O desempenho insatisfatório pode limitar oportunidades educacionais e profissionais, impactando a competitividade do país. A análise do IEE reforça a necessidade urgente de políticas públicas focadas na recuperação da aprendizagem e no fortalecimento do ensino de matemática em todos os níveis educacionais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress





