Comércio bilateral no setor agrícola alcança US$ 6,4 bilhões, impulsionado por exportações brasileiras de carnes e importações argentinas de trigo

Argentina e Brasil aumentam em 9,1% as transações no agronegócio em 2025, com destaque para carnes brasileiras e trigo argentino.
Crescimento das transações no agronegócio entre Argentina e Brasil em 2025
Em 2025, as transações no agronegócio entre Argentina e Brasil elevaram-se para US$ 6,4 bilhões, um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior. Esse aumento reflete a forte movimentação comercial entre os dois países, mesmo diante de diferenças políticas evidentes entre seus líderes, Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. As exportações brasileiras para a Argentina cresceram 52%, destacando a importância econômica do setor agrícola para ambos os países.
Destaques nas exportações brasileiras para a Argentina
O Brasil se mostrou especialmente ativo nas exportações de produtos agropecuários para a Argentina. Entre os principais itens, o cacau e seus derivados lideraram com gastos de US$ 330 milhões pelos argentinos. Outro destaque foi o aumento expressivo nas exportações de carnes brasileiras, que chegaram a 81,8 mil toneladas, uma alta de 227% em relação a 2024, atingindo o maior volume desde 1999. A carne bovina teve um aumento ainda mais notável, com alta de 1.939%, totalizando 13 mil toneladas importadas. Além disso, o café apresentou aumento de 65% nos gastos argentinos, atingindo US$ 173 milhões, motivado pelo aumento global dos preços e pela maior demanda interna.
Importações brasileiras de trigo e outros alimentos da Argentina
O Brasil manteve sua dependência tradicional do trigo argentino, importando 5,42 milhões de toneladas, 24% a mais que no ano anterior. Esse aumento foi motivado pela redução da produção nacional de trigo, o que exigiu maior compra no mercado externo para suprir o consumo interno. O gasto com trigo chegou a US$ 1,26 bilhão. Outros produtos importantes na pauta de importação brasileira foram lácteos, hortaliças e frutas, com valores próximos a US$ 300 milhões para os dois últimos itens, reforçando o amplo intercâmbio de alimentos entre os países.
Contexto político versus dinâmica econômica bilateral
Apesar do distanciamento político entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei, evidenciado na ocasião da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia em Assunção, Paraguai, as transações no agronegócio entre os dois países seguem crescendo. Essa separação entre política e economia mostra a resiliência e importância do setor agrícola como elemento estratégico na relação bilateral, capaz de superar divergências ideológicas e manter o fluxo comercial robusto.
Implicações para o agronegócio regional e perspectivas futuras
O fortalecimento do comércio agrícola entre Argentina e Brasil pode favorecer a integração sul-americana, criando oportunidades para ampliar a competitividade dos produtos no mercado global. A tendência de aumento nas exportações de carnes brasileiras e a dependência do trigo argentino indicam potenciais ajustes produtivos e comerciais nos próximos anos. A evolução dos preços internacionais de commodities como cacau e café também deverá impactar o ritmo e valor das transações futuras. Assim, o setor agropecuário permanece como um pilar essencial para o desenvolvimento econômico dos dois países e da região.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Vaivém das Commodities






