Armas de fogo são principais em quase metade dos homicídios contra mulheres em 2024

Estudo revela que armas de fogo foram usadas em 47% dos casos de homicídios femininos no Brasil, com destaque para jovens entre 18 e 29 anos

Armas de fogo são principais em quase metade dos homicídios contra mulheres em 2024
Cena de violência armada em espaço público Foto:

Levantamento aponta que 47% dos homicídios contra mulheres em 2024 foram cometidos com armas de fogo, afetando principalmente jovens.

O impacto das armas de fogo nos homicídios contra mulheres em 2024

O levantamento “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, divulgado em 8 de março de 2026, revela que armas de fogo foram usadas em 47% dos homicídios contra mulheres em 2024 no Brasil. O estudo, realizado pelo Instituto Sou da Paz, apresenta dados que traduzem a realidade da violência letal de gênero, destacando que, apesar de uma redução de 5% nos homicídios femininos entre 2020 e 2024, o uso de armas de fogo sofreu um recuo mais expressivo, de 15%. Um dos atores centrais desse cenário é a faixa etária entre 18 e 29 anos, que concentra o maior número de vítimas mortais por armas de fogo.

Perfil das vítimas e locais mais frequentes dos crimes fatais

A pesquisa aponta que a maioria das mulheres assassinadas com armas de fogo está na faixa dos 18 aos 29 anos, com um pico de vítimas entre 18 e 24 anos. Em contraste, homicídios cometidos por outros meios atingem mais mulheres entre 20 e 44 anos. No caso dos feminicídios, 70,5% das vítimas possuem entre 18 e 44 anos, ressaltando que o crime motivado por razões de gênero afeta predominantemente mulheres em idade produtiva. Quanto ao local dos homicídios, 64% ocorreram nas residências das vítimas, enquanto 21% aconteceram em vias públicas, evidenciando a predominância da violência doméstica e familiar como contexto dos assassinatos.

Feminicídios e o papel das armas de fogo e brancas na letalidade

De acordo com o estudo, 40% dos homicídios de mulheres em 2024 foram classificados como feminicídios, assassinatos motivados pela condição de sexo feminino, caracterizados por desprezo, discriminação ou violência doméstica. Entre esses casos, 48% envolveram armas brancas, enquanto 23% foram cometidos com armas de fogo. Essa distribuição evidencia a diversidade dos meios utilizados para a violência letal contra mulheres, mas mantém as armas de fogo como método predominante no conjunto dos homicídios femininos.

Tendências e desafios para a redução da violência de gênero letal

A redução de 15% no uso de armas de fogo nos homicídios femininos entre 2020 e 2024 sinaliza um possível avanço nas políticas de controle de armas e na proteção das mulheres. No entanto, a persistência do número elevado de casos e a predominância dessa arma como instrumento letal revelam os desafios ainda enfrentados no combate à violência de gênero. Estratégias integradas que envolvam prevenção, políticas públicas eficazes, proteção às vítimas e controle rigoroso do armamento são urgentes para reverter essa realidade.

A importância da data de divulgação para a conscientização sobre a violência contra mulheres

A divulgação do estudo no Dia Internacional da Mulher reforça a necessidade de manter o foco social e político na erradicação da violência contra mulheres. Ao apresentar dados concretos sobre o uso de armas de fogo nos homicídios femininos, a pesquisa contribui para ampliar o debate e orientar ações que visem proteger esse grupo vulnerável, especialmente jovens entre 18 e 29 anos, que são as principais vítimas dessa violência letal.

Fonte: www.metropoles.com