Ataques de EUA e Israel não diminuíram poder militar do Irã, avalia especialista

Professor da UFF e pesquisador de Harvard destaca o fortalecimento estratégico do Irã apesar dos bombardeios recentes

Ataques de EUA e Israel não diminuíram poder militar do Irã, avalia especialista
Conflito na região do Oriente Médio com presença de mísseis e forças militares. Foto: Logo CNN Internacional

Especialista aponta que ataques não comprometeram a força terrestre do Irã e que país mantém controle estratégico no Oriente Médio.

Contexto dos ataques e sua eficácia no poder militar do Irã

Os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, embora tenham causado danos significativos a estruturas militares, não reduziram efetivamente o poder militar do Irã, conforme análise do professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense e pesquisador de Harvard. Segundo ele, apesar da destruição da maior parte da marinha iraniana e das restrições já impostas à força aérea por sanções anteriores, a força terrestre do Irã permanece robusta, com aproximadamente 610 mil militares ativos e 350 mil reservistas. Essa capacidade é fundamental para a projeção de poder regional do país e mantém a influência iraniana no Oriente Médio.

Estratégias iranianas na projeção de poder regional via controle do Estreito de Ormuz

A análise do especialista destaca que o Irã utiliza equipamentos relativamente baratos, como minas navais, drones e mísseis, para exercer controle estratégico sobre o Estreito de Ormuz, ponto vital para o comércio mundial de petróleo. Estima-se que o país possua entre 2 mil e 6 mil minas navais, que dificultam a movimentação de forças adversárias e aumentam a capacidade de dissuasão. Essa tática representa uma forma eficaz de manter influência regional sem necessidade de altos investimentos financeiros, contrapondo-se ao poder militar americano e israelense, mais dispendioso.

Reforço da presença militar americana e o cenário geopolítico atual

Em resposta às tensões, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar na região, concentrando três porta-aviões: Abraham Lincoln, Gerald Ford e George H.W. Bush. Tal agrupamento naval não era observado desde a Guerra do Iraque, indicando a seriedade da situação. No entanto, esse fortalecimento ocorre num contexto político interno delicado nos EUA, onde o presidente Donald Trump enfrenta pressões devido às eleições de novembro e críticas de seus apoiadores por não cumprir promessas relacionadas à paz. Esse fator interno pode influenciar a condução da política externa americana e impactar o desenrolar do conflito.

Diferenças de resiliência política entre EUA e Irã diante do conflito

Enquanto o governo americano lida com pressão democrática e eleitoral, o regime iraniano, descrito como uma “ditadura militar com representante teocrático”, não sofre as mesmas restrições internas. Essa ausência de constrangimentos políticos permite ao Irã uma maior capacidade de resistência e manutenção de sua estratégia no atual cenário de tensão internacional. O especialista ressalta que essa dinâmica interna é crucial para entender a continuidade do poder militar do Irã apesar dos ataques e sanções.

Impactos e perspectivas para a estabilidade na região do Oriente Médio

A manutenção do poder militar do Irã apesar dos ataques demonstra as limitações das ações militares tradicionais em desestabilizar regimes com estratégias adaptativas e estruturas robustas. O controle do Estreito de Ormuz segue como ponto estratégico de tensão, influenciando diretamente o mercado global de energia e a segurança regional. Com as pressões políticas internas nos EUA e a resiliência do regime iraniano, o conflito pode se prolongar, exigindo atenção das autoridades internacionais para evitar escaladas e buscar soluções diplomáticas eficazes.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Logo CNN Internacional