Atividade física pode melhorar tratamento de câncer, afirma especialista

Pedro William Machado de Almeida compartilha sua experiência de vida e a importância do exercício na recuperação de pacientes oncológicos

Atividade física pode melhorar tratamento de câncer, afirma especialista
Pedro William Machado de Almeida, profissional de educação física. Foto: Arquivo pessoal

Pedro William Machado de Almeida, ex-paciente oncológico, destaca os benefícios da atividade física no tratamento de câncer.

A importância da atividade física no tratamento oncológico

Pedro William Machado de Almeida, profissional de educação física e ex-paciente oncológico, está compartilhando sua experiência no 26° Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado no Rio de Janeiro. Ele sublinha que a “atividade física e câncer” estão intimamente ligadas, pois a prática de exercícios pode melhorar significativamente a qualidade de vida de pacientes em tratamento.

Superando o câncer na infância

A história de Pedro é inspiradora: aos sete anos, ele recebeu o diagnóstico de linfoma linfoblástico de células pré-B, um tipo raro e agressivo de câncer. Durante o tratamento no MD Anderson Cancer Center, sua mãe, Celeste Aida Caetano Machado de Almeida, incentivou-o a se movimentar, levando-o para parques e brincadeiras, o que, segundo ele, foi crucial para sua recuperação.

“Minha mãe me tirava do hospital para me movimentar, e isso me permitiu estar vivo. Ela me mostrou que a saúde vai além dos medicamentos”, conta Pedro. Essa experiência o levou a estudar educação física, buscando ajudar outros a enfrentarem o câncer de forma mais leve e com qualidade de vida.

Benefícios da atividade física para pacientes oncológicos

Pedro é coautor de um estudo publicado na Journal of Applied Physiology, que evidencia que a atividade física pode interferir positivamente no peso e volume do tumor, além de favorecer o microambiente tumoral. Pesquisas recentes demonstram que programas estruturados de exercícios podem aumentar a sobrevida e reduzir o risco de câncer recorrente. Um ensaio clínico com 889 pacientes de câncer de cólon mostrou que aqueles que se exercitaram regularmente apresentaram 37% menos risco de morte e 28% menos chances de recidivas.

Além disso, um estudo na Nature Medicine destacou que a prática de exercícios supervisionados melhorou a qualidade de vida de pacientes com câncer de mama metastático, reduzindo a fadiga e promovendo bem-estar.

Tratamento da mãe e da esposa

Quando sua mãe foi diagnosticada com câncer de ovário metastático, Pedro a preparou para o tratamento com exercícios físicos, como caminhadas e agachamentos. “Os médicos ficaram surpresos com a saúde dela durante o tratamento. A atividade física não só melhorou seu estado físico, mas também seu bem-estar mental”, explica Pedro. Sua mãe está hoje em remissão, superando as expectativas médicas iniciais.

Em 2017, a esposa de Pedro, Mariana Gavioli de Oliveira, também enfrentou um câncer de mama durante a gestação. A atividade física foi parte fundamental de sua rotina na luta contra a doença, resultando em uma recuperação bem-sucedida.

Recomendações para pacientes oncológicos

Pedro sugere dois exercícios essenciais para pacientes com câncer: caminhadas leves e agachamentos. Ele recomenda que os pacientes caminhem em contato com a natureza para reduzir o estresse e melhorar a saúde cardiovascular. Os agachamentos, feitos de forma gradual, ajudam a fortalecer as pernas e a manter a capacidade física.

“O exercício é mágico. Ele ajuda a prevenir o câncer e, se a doença aparece, reduz a velocidade de seu desenvolvimento”, conclui Pedro. A prática regular de atividade física, segundo estudos do Instituto Nacional do Câncer (Inca), é eficaz na prevenção de vários tipos de câncer, incluindo mama, próstata e cólon.

Com a crescente evidência da importância da atividade física na oncologia, médicos recomendam que pacientes continuem se exercitando durante e após o tratamento. A mensagem é clara: manter-se ativo é fundamental para enfrentar o câncer com mais força e qualidade de vida.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Arquivo pessoal