Protestos no Irã têm origem econômica, mas refletem insatisfação maior com o regime teocrático

Protestos no Irã, desencadeados por crise econômica, expressam rejeição ao regime e contam com apoio cauteloso à pressão internacional liderada por Trump, apesar do receio de uma guerra.
Os protestos no Irã, que ganharam força desde o fim de dezembro de 2025, ultrapassam a crise econômica e representam uma contestação clara contra o regime teocrático. De acordo com a ativista iraniana Noor, estudante de direito em Teerã, a pressão internacional liderada pelo presidente Donald Trump é vista como um apoio estratégico pelos manifestantes, mesmo que eles rejeitem uma intervenção militar direta.
Contexto dos protestos no Irã
Noor explica que a crise econômica foi a “faísca, mas não a causa” dos protestos que engolfam o país. A inflação atingiu 42,5% em 2025, enquanto a moeda local sofreu desvalorização significativa, prejudicando especialmente a classe média influente. A rotina dos iranianos é marcada por dificuldades como altos custos de aluguel, alimentos caros, transporte inacessível, cortes frequentes de energia, escassez de água e níveis alarmantes de poluição que afetam a saúde pública. Essa conjuntura acentuou o descontentamento popular, que rapidamente evoluiu para uma rejeição mais ampla ao regime dos aiatolás.
A repressão estatal tem sido mais severa: as forças de segurança passaram a atirar diretamente contra os manifestantes desarmados, conforme relata Noor. Apesar disso, o medo que antes impedia confrontos diminuiu, e o regime enfrenta rachaduras internas, com a moral das milícias em declínio e confiança abalada. Imagens recentes indicam que alguns manifestantes passaram a portar armas em algumas províncias, refletindo um cenário de tensão crescente.
Pressão externa e posicionamento dos ativistas
O posicionamento do presidente Trump, que anunciou apoio militar condicionado à repressão violenta contra manifestantes, é visto com esperança, mas também com cautela. Noor enfatiza que não há desejo por uma invasão em larga escala, como as ocorridas no Iraque ou Afeganistão, que seriam desastrosas para o país. Em vez disso, defende-se uma pressão calibrada, incluindo sanções direcionadas e isolamento financeiro da Guarda Revolucionária, buscando impedir o uso descontrolado da violência contra civis e alterar o equilíbrio interno.
Dilemas internos e perspectivas futuras
Os protestos incorporam demandas históricas de edições anteriores (2009, 2017, 2019, 2022-23), mas agora são mais atomizados e adaptam-se às repressões, utilizando conexões esporádicas na internet para comunicação. Noor acredita que a queda do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, poderia impulsionar mudanças significativas, embora o real poder da Guarda Revolucionária, enraizada no aparato econômico e de segurança, ainda represente um desafio central.
Ela defende a realização de um plebiscito para decidir entre a formação de uma república secular ou o retorno a uma monarquia constitucional, com o príncipe herdeiro Reza Pahlavi desempenhando um papel unificador, ao contrário da imagem de fantoche ocidental que tinha seu pai, deposto em 1979.
Serviço e contexto internacional
Repressão: Forças de segurança aumentaram o uso da força letal contra manifestantes.
Impacto Econômico: Inflação alta e desvalorização da moeda agravam crise social.
Apoio Externo: Pressão dos EUA via sanções e isolamento financeiro da Guarda Revolucionária.
Rachaduras Internas: Declínio na moral de milícias e maior resistência popular.
Cautela contra Guerra: Manifestantes rejeitam conflito armado em larga escala.
O desenrolar dos protestos no Irã em 2026 deve ser acompanhado de perto, pois refletem um momento de transição delicado tanto para o regime quanto para a população, com repercussões importantes no cenário geopolítico do Oriente Médio e das relações internacionais.
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Imagem: Manifestantes se reúnem em Teerã durante os protestos contra o regime iraniano. Foto: AFP*
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP





