Áudios atribuem ligações para 190 a jovem morto pela PM em São Paulo

Gravações mostram relatos sobre homem em passarela e ameaças de suicídio. Gustavo Munis de Santana foi atingido por 27 tiros em Moema.

Áudios atribuem ligações para 190 a jovem morto pela PM em São Paulo
Gustavo Munis de Santana foi morto por PMs com 27 tiros após confundirem celular com arma Foto: Reprodução/Redes Sociais — Foto: Gustavo Munis de Santana foi morto por PMs com 27 tiros após confundirem celular com arma  • Reprodução/Redes Sociais

Dois áudios de ligações para o 190 atribuídos a Gustavo Munis de Santana mostram relatos sobre um homem em passarela e ameaças de suicídio na zona sul de São Paulo.

Dois áudios de ligações para o 190 atribuídos a Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, trazem novos elementos sobre a morte do jovem baleado pela Polícia Militar em Moema, zona sul de São Paulo. As gravações foram obtidas pela CNN. As circunstâncias da abordagem e a conduta dos policiais são investigadas.

Na primeira ligação, o interlocutor se identifica como Gabriel e relata ter visto um homem sentado em uma passarela, aparentemente escondido. Questionado pela atendente se o homem estava armado ou havia abordado alguém, o interlocutor responde que não vio nenhuma arma e que o rapaz não falou com ele. Segundo o relato, a pessoa estava sentada, de cabeça baixa.

Em uma segunda ligação, o mesmo interlocutor volta a acionar a Polícia Militar. Ele afirma que uma viatura já teria passado pelo local e relata que o homem começou a falar sobre tirar a própria vida.

“Falando que estava armado, que ia dar um tiro na cabeça dele”, diz o homem durante a chamada. O interlocutor relata que o rapaz caminhava de um lado para o outro na passarela e parecia ameaçar se jogar. Questionado novamente se havia visto uma arma, ele responde que não. Na ligação, afirma que observava a situação da janela de um prédio.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) ainda não confirmou se a voz nos áudios é de Gustavo. A hipótese levantada a partir das gravações é a de que o jovem teria acionado a Polícia Militar se passando por outra pessoa e relatado uma situação envolvendo ele próprio. Essa interpretação, porém, ainda depende da confirmação da autoria das chamadas e do esclarecimento das circunstâncias da ocorrência.

Gustavo morreu na madrugada de 10 de outubro, durante uma ocorrência policial em Moema. Segundo a investigação, os policiais militares efetuaram 45 disparos, dos quais 27 atingiram o jovem. Os agentes alegaram ter confundido um celular que estava com Gustavo com uma arma de fogo. Os quatro policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. As armas utilizadas na ocorrência e o celular do jovem foram apreendidos para perícia. As imagens das câmeras corporais dos agentes foram solicitadas para análise.