Aumento da inadimplência no crédito do Sistema Financeiro em outubro

Indicador alcança 4% e reflete um crescimento contínuo nos últimos 12 meses

Inadimplência da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional atinge 4% em outubro, com aumento contínuo nos últimos 12 meses.

O porcentual de inadimplência no crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) chegou a 4,0% em outubro, refletindo um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. Esse crescimento também é notável quando comparado ao acumulado dos últimos 12 meses, com um aumento de 0,8 ponto percentual. Esses dados foram apresentados no relatório “Estatísticas monetárias e de crédito”, divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira, 26 de novembro de 2025.

Análise do crédito livre e da inadimplência

Na modalidade de crédito livre, que envolve empréstimos e financiamentos com taxas de juros negociadas entre as instituições financeiras e os clientes, a inadimplência se manteve em 5,3% da carteira. Embora tenha permanecido estável no mês, este indicador apresenta um crescimento de 0,9 ponto percentual em 12 meses. As pessoas físicas, em particular, enfrentam uma situação desafiadora, com a inadimplência subindo para 6,7% da carteira, representando um aumento significativo em relação ao período anterior.

Crescimento do estoque de crédito e endividamento

O estoque total de crédito do SFN também apresentou crescimento, alcançando R$6,9 trilhões em outubro, um aumento de 0,9% em relação ao mês anterior. Este incremento é composto por um crescimento de 0,3% no crédito destinado às pessoas jurídicas e de 1,3% no crédito às pessoas físicas. Os saldos respectivos são de R$2,6 trilhões e R$4,3 trilhões, evidenciando a diferença entre os setores. O endividamento das famílias também aumentou, com 49,1% delas se declarando endividadas, um leve crescimento em relação ao mês anterior.

Contexto e perspectiva futura

O aumento do endividamento se dá em um contexto de comprometimento de renda, que atingiu o patamar histórico de 28,8%. Este aumento no comprometimento da renda, que é resultado de diversas variáveis econômicas, reflete as dificuldades financeiras enfrentadas por muitas famílias brasileiras. O Banco Central observa que este cenário pode impactar a capacidade de pagamento dos consumidores, gerando preocupações sobre a sustentabilidade do crédito no Brasil.

A situação demanda uma atenção especial das autoridades financeiras e do governo, que precisam monitorar de perto o comportamento do crédito e da inadimplência, além de tomar medidas para mitigar os riscos associados a um aumento contínuo na inadimplência, que pode afetar não apenas as instituições financeiras, mas também a economia em geral. A evolução dos próximos meses será crucial para entender a trajetória do crédito e do endividamento no país.