Com crédito restrito, produtores de soja aumentam autofinanciamento para cobrir custos

Produtores de soja em Mato Grosso aumentam autofinanciamento devido a juros altos e crédito restrito.
Autofinanciamento em alta entre produtores de soja
Na safra 2025/26, os produtores de soja de Mato Grosso devem semear 13 milhões de hectares, enfrentando um custo de produção que atinge R$ 54,4 bilhões. Diante do cenário de juros elevados e maior inadimplência, o crédito tornou-se mais restritivo e seletivo, levando os agricultores a aumentar sua participação financeira. Atualmente, o autofinanciamento representa 23,5% do total, um aumento em relação aos 20,7% do ano anterior, mas ainda abaixo dos 33% registrados em 2022/23.
Queda na participação de recursos federais
Os técnicos do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) destacam que essa elevação no autofinanciamento resulta do ciclo de renda favorável da safra anterior, combinado com a conjuntura financeira adversa. A participação dos recursos federais caiu para 5,1%, um recuo significativo em relação aos 8,7% da safra passada. Além disso, as revendas também reduziram a oferta de crédito, financiando apenas 5,3% do total, em comparação com 11,4% do período anterior.
Aumento da participação do sistema financeiro
Com a diminuição da presença de recursos federais e das revendas, sobrou mais espaço para o sistema financeiro e as multinacionais, que ofereceram empréstimos a taxas mais elevadas. O Imea aponta que o sistema financeiro aumentou sua participação para 35,4% do custo total dos agricultores, o maior percentual desde 2008/09. As multinacionais, por sua vez, forneceram R$ 16,7 bilhões, representando 30,7% do capital necessário para a produção de soja, a maior taxa desde a safra 2017/18.
Custo de produção e crescimento da área plantada
O custo por hectare estimado pelo Imea para os produtores mato-grossenses é de R$ 4.181,3, um aumento de 5,3% em relação à safra anterior. O crescimento da área plantada com soja foi de apenas 1,7%, um reflexo das margens de lucro menores, dos preços pouco atrativos e dos altos custos de produção. Para a safra 2026/27, o instituto prevê uma leve redução nos custos, influenciada pelo comportamento dos insumos.
Inovação e tecnologia no agronegócio
A necessidade de inovação no setor é clara. Mariana Beckheuser, CEO da Beckhauser, destaca a importância de conectar quem trabalha no campo com as novas tecnologias. A empresa está lançando o BeckLab, um laboratório voltado para facilitar a interação entre startups e o agronegócio, buscando soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelos produtores.
Perspectivas para outras culturas
Além da soja, o Fundecitrus revisou suas estimativas para a safra de laranja 2025/26, prevendo uma produção de 295 milhões de caixas, o que representa uma queda em relação às previsões anteriores. As dificuldades enfrentadas por outras culturas, como o café, também são notáveis, com uma queda nas exportações devido a fatores como a alta taxa de tarifas impostas pelos Estados Unidos e a infraestrutura portuária deficiente. Esses desafios ressaltam a necessidade urgente de estratégias eficazes para a recuperação e o progresso no agronegócio.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Vaivém das Commodities







