Ex-presidente do BC critica demora na fiscalização e destaca falhas na supervisão sobre o Banco Master
Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, critica atraso na fiscalização do Banco Master e aponta falhas na supervisão.
Arminio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central entre 1999 e 2002, compartilhou uma análise crítica sobre a atuação do BC no caso Banco Master, evidenciando um atraso significativo na resposta da autoridade monetária diante da crise na instituição financeira.
Fiscalização e atraso na reação do Banco Central
Segundo Fraga, o tamanho do rombo no Banco Master indica que as falhas na supervisão vêm de um período prolongado. Ele afirma que o Banco Central tinha todas as ferramentas legais para monitorar e agir, mas aparentemente não reagiu a tempo. O economista ressalta que rumores e alertas internos já circulavam há bastante tempo, inclusive com avisos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e informações no mercado financeiro.
Gestão temerária e fraudes expostas
O ex-presidente do BC descreve a gestão do Banco Master como temerária desde sua origem, com uma carteira de ativos de alto risco e estratégias agressivas de captação. Além disso, evidências de manipulação financeira e desvios começaram a emergir, configurando um ambiente propício para fraudes que hoje são alvo de investigação.
Ferramentas regulatórias e desafios de supervisão
Apesar de proposições recentes para transferir poderes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o Banco Central, Fraga destaca que o BC já possui mecanismos legais para fiscalizar fundos e carteiras com baixa transparência, inclusive por meio de convênios com a CVM. A aparente falta de fiscalização eficaz no caso Master levanta dúvidas sobre a execução desses instrumentos.
Influências políticas e crises institucionais
Arminio Fraga não descarta a possibilidade de pressões políticas terem interferido na atuação do Banco Central. Ele menciona tentativas no Congresso para demitir diretores do BC envolvidos na supervisão, alterações propostas no Fundo Garantidor de Créditos e a complexa atuação do Supremo Tribunal Federal no caso. Segundo ele, essas intervenções indicam um ambiente político conturbado em torno do episódio.
Reflexões sobre o sistema financeiro e propostas futuras
O economista defende que o trabalho de regulação e fiscalização deve ser contínuo e adaptativo, considerando a criatividade do mercado financeiro. Segundo Fraga, o caso Banco Master expõe uma crise de valores mais ampla no Brasil, e o Banco Central precisa aprender com essa experiência para fortalecer sua capacidade.
Ele conclui expressando confiança na capacidade do BC de absorver as lições do caso, implementar providências e emergir mais forte, reforçando a importância da transparência e da atuação técnica independente para evitar repetição de episódios semelhantes.
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Arminio Fraga, 68 anos, formado em Economia pela PUC-Rio e doutor pela Universidade de Princeton, é sócio-fundador da gestora Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central do Brasil (1999-2002). Foi diretor-gerente do Soros Fund Management e tem ampla experiência em intervenções financeiras de grande porte.





