Banco central nomeia comissão com atraso para inquérito do Master

Apuração sobre liquidação extrajudicial do Banco Master começa três meses após medida, contrariando norma legal

Banco central nomeia comissão com atraso para inquérito do Master
Fachada do Banco Master, alvo de inquérito iniciado com atraso pelo Banco Central

Banco Central iniciou o inquérito do Master três meses após liquidação, contrariando a exigência legal de instauração imediata.

Comissão do Banco Central inicia inquérito do Master com atraso de três meses

O inquérito do Master, anunciado pelo Banco Central em 18 de fevereiro de 2026, começou a ser implantado com atraso significativo, pois a liquidação extrajudicial do Banco Master e outras instituições do conglomerado ocorreu em 18 de novembro de 2025. A nomeação dos cinco servidores responsáveis pela investigação contrariou a legislação vigente, que determina a instauração imediata do inquérito após a liquidação, conforme o artigo 41, § 2º, da Lei nº 6.024/1974.

A comissão presidida por Márcia Kiyoka Ideo deve analisar profundamente contabilidade, arquivos, documentos e valores das instituições envolvidas, além de colher depoimentos e solicitar informações a outras autoridades públicas. O objetivo é levantar as causas da liquidação e possíveis responsabilidades de pessoas físicas nos últimos cinco anos.

Composição e atribuições da comissão que apura a liquidação do Banco Master

A comissão conta com a presidência da servidora Márcia Kiyoka Ideo e os relatores Carlos Damião Prolo Júnior, Cláudio Carvalho, Ramiz Rached El Hayek e Roberto Simone Maciel Júnior. Eles possuem atribuições amplas para examinar não apenas os documentos internos do Banco Master, mas também arquivos de terceiros relacionados aos negócios da instituição e dos ex-administradores, que podem acompanhar e contribuir com o inquérito.

Além disso, a comissão pode solicitar apoio da polícia para depoimentos e investigar autos de falência correlatos. O objetivo é produzir um relatório detalhado que esclareça as razões da liquidação e identifique eventuais responsáveis pelo colapso financeiro.

Contexto das medidas tomadas contra o Banco Master e suas implicações

As medidas de liquidação extrajudicial e administração especial temporária no Banco Master e instituições do conglomerado foram motivadas por suspeitas de fraudes envolvendo a criação e venda de carteiras de crédito e fundos falsos, sem lastro financeiro, estimados em R$ 12 bilhões. A administração temporária foi delegada à empresa EFB Regimes Especiais de Empresas LTDA, com plenos poderes para gerir a situação.

O caso gerou impacto significativo no setor financeiro e no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que acumula perdas estimadas em R$ 52 bilhões em decorrência de liquidações recentes. A demora na instauração do inquérito do Master levanta questionamentos sobre a transparência e eficácia das ações regulatórias.

Argumentos do Banco Central para justificar o atraso na instauração do inquérito

Em resposta à investigação jornalística, o Banco Central afirmou que o ato de nomeação da comissão respeitou “previsões legais” e que o prazo de três meses para instauração do inquérito não foge da média histórica para processos semelhantes. A autoridade financeira ressaltou que processos dessa natureza costumam demandar tempo para definição dos responsáveis e análise detalhada dos dados.

Apesar disso, a legislação vigente estabelece a imediata abertura do inquérito após a decretação da liquidação extrajudicial, o que torna o atraso objeto de críticas por parte de especialistas e agentes do mercado.

Impacto e possíveis desdobramentos do inquérito para o mercado financeiro

O inquérito do Master pode revelar práticas ilícitas que afetaram a saúde financeira do conglomerado e gerar responsabilizações administrativas e judiciais. A apuração é fundamental para recuperar ativos e evitar que irregularidades semelhantes se repitam.

Além disso, o relatório final do Banco Central poderá influenciar políticas regulatórias e fortalecer mecanismos de supervisão do sistema financeiro, visando maior segurança para investidores e clientes.

A demora no início das investigações, entretanto, pode comprometer a confiança do mercado na capacidade de intervenção rápida das autoridades reguladoras em crises financeiras.

Fonte: www.metropoles.com