Iniciativa pioneira garante inclusão e combate o capacitismo no maior evento cultural do Brasil

Bloco de carnaval em Brasília promove inclusão e acessibilidade, garantindo direitos das pessoas com deficiência no carnaval.
O carnaval acessível para pessoas com deficiência em Brasília ganha destaque com o bloco “Deficiente é a mãe”, fundado há 14 anos pela historiadora Lurdinha Danezy Piantino e um grupo engajado de pais e representantes de entidades. O evento, realizado no centro da capital federal, enfrenta e denuncia as barreiras comuns em espaços culturais, como a falta de rampas, piso tátil, transporte público adequado e intérpretes de Libras.
Origem e propósito do bloco ‘Deficiente é a mãe’ na capital federal
Ao criar o bloco, Lurdinha e seus parceiros tiveram como objetivo principal combater o capacitismo, que subestima as capacidades das pessoas com deficiência e as exclui de muitos ambientes sociais e culturais. Para Lurdinha, o carnaval, como a maior festa popular do Brasil, deve ser acessível e incluir todas as pessoas, reforçando que acessibilidade é um direito fundamental.
Participação ativa de artistas e frequentadores com deficiência
Entre os participantes mais destacados está Lúcio Piantino, filho de Lurdinha, que atua como artista multifacetado e é conhecido como Úrsula Up, a primeira drag queen com síndrome de Down do país. Sua presença reforça a importância da representatividade e da diversidade dentro da folia. Outro frequentador assíduo é Francisco Boing Marinucci, jovem com Transtorno do Espectro Autista, que participa com sua mãe, ressaltando a segurança e o ambiente acolhedor proporcionados pelo bloco.
Desafios enfrentados para inclusão e mobilização da comunidade
Além das dificuldades físicas, o bloco enfrenta desafios para mobilizar pessoas com deficiência, pois muitas ainda receiam sofrer discriminação. O servidor público aposentado Luiz Maurício Santos, cadeirante e um dos fundadores, destaca a importância de ampliar essa participação para fortalecer a inclusão real no carnaval e na sociedade.
Dados demográficos e a importância da acessibilidade no Brasil
De acordo com o IBGE, o país possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência com 2 anos ou mais, representando 8,9% da população nesta faixa etária. A deficiência visual é a mais comum, com cerca de 3,1% da população afetada. Participantes como o auxiliar de biblioteca Thiago Vieira, que tem baixa visão, valorizam a existência de eventos inclusivos e sonham com mais acessibilidade na sociedade.
Pesquisas e esperanças para avanços médicos em lesões medulares
Entre os frequentadores está também Carlos Augusto Lopes de Sousa, cadeirante devido a um acidente, que acompanha com otimismo as pesquisas da professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ. Ela desenvolveu um medicamento promissor para regeneração de lesões medulares, que aguarda aprovação para estudos clínicos maiores, oferecendo esperança para muitas pessoas.
Impacto social e cultural do bloco para pessoas com deficiência
O bloco “Deficiente é a mãe” em Brasília transcende a simples celebração do carnaval, sendo um espaço simbólico de luta pelos direitos e visibilidade das pessoas com deficiência. Ele demonstra o potencial transformador da cultura para promover inclusão, combater preconceitos e fortalecer a cidadania, inspirando outras iniciativas similares em todo o país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br





