Decisão do ministro Luiz Fux abre espaço para apostas em bets

O ministro Luiz Fux suspendeu o bloqueio de contas de beneficiários do Bolsa Família para apostas, mas mantém restrições para novos cadastros.
O bloqueio de contas de beneficiários do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) em plataformas de apostas foi suspenso parcialmente pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, proferida no dia 19 de dezembro de 2025, atende a um pedido da Associação Nacional de Jogos e Loterias, que argumentou sobre os possíveis danos irreversíveis causados pela norma que restringia as apostas para esses beneficiários.
A regulação das apostas e suas implicações
Fux acatou o pedido, mas manteve a proibição de novos cadastros de beneficiários em sites de apostas, o que implica que aqueles que já possuem contas poderão continuar a usar seus recursos, enquanto novos usuários ainda não poderão se cadastrar. Essa situação aponta para uma tentativa de equilibrar a proteção dos beneficiários com a necessidade de regulamentação do setor, que vem sendo discutida pelo STF desde o ano passado.
As restrições foram implementadas pelo Ministério da Fazenda em setembro e outubro de 2025, com o intuito de evitar o uso indevido de benefícios sociais em apostas. A norma obrigava as casas de apostas a consultarem regularmente o Sigap (Sistema de Gestão de Apostas) para verificar se os usuários que tentavam se cadastrar eram beneficiários de programas sociais. Caso fossem identificados, o cadastro deveria ser bloqueado e a conta encerrada, com a devolução de valores depositados.
O impacto das apostas no Bolsa Família
Dados do Banco Central indicam que, em um único mês, as casas de apostas online absorveram aproximadamente R$ 3 bilhões de beneficiários do Bolsa Família, com uma média de R$ 100 por apostador entre um universo de 5 milhões de beneficiários. Isso levanta preocupações sobre o impacto financeiro das apostas em um grupo já vulnerável. Entre os apostadores, 70% eram chefes de família, o que ressalta a gravidade da situação.
Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que cerca de 10,9 milhões de brasileiros se envolvem em atividades de apostas de forma problemática, com 1,4 milhão desenvolvendo transtornos relacionados ao jogo. Os dados mostram que cerca de 67% dos apostadores em plataformas de bets apresentam comportamento problemático, em contraste com 27% que apostam em modalidades tradicionais, como a Mega-Sena.
O caminho a seguir
A audiência de conciliação, que discutirá o futuro do uso das bets por beneficiários de programas sociais, foi antecipada para o dia 10 de fevereiro de 2026. Enquanto isso, a suspensão do bloqueio de contas representa uma oportunidade para que beneficiários possam acessar seus recursos, mas também acende um alerta sobre a necessidade de uma regulamentação mais robusta e eficaz que proteja os indivíduos em situação de vulnerabilidade. A decisão de Fux reflete a complexidade do tema e a necessidade de um equilíbrio entre liberdade de escolha e proteção social.
Fonte: noticias.uol.com.br





