Bolsonarismo sem Bolsonaro e trump são incógnitas para eleição de 2026

Leonardo Avritzer analisa os desafios do bolsonarismo pós-Bolsonaro e a influência de Trump no cenário eleitoral brasileiro

Leonardo Avritzer destaca que o bolsonarismo sem Bolsonaro e a atuação de Trump são incógnitas que podem influenciar a eleição de 2026 no Brasil.

Bolsonarismo sem Bolsonaro: desafios para a política brasileira em 2026

O bolsonarismo sem Bolsonaro é uma grande incógnita na eleição de 2026, segundo o cientista político Leonardo Avritzer. Ele destaca que a articulação política promovida pelo ex-presidente — que unia militares, o mercado financeiro, o conservadorismo do interior do país e diversas lideranças de direita — é um fenômeno quase único. Esse conjunto de forças ainda não tem um sucessor claro, o que causa incerteza sobre a competitividade da direita nas próximas eleições. Avritzer argumenta que, apesar das tentativas de golpe de Estado no final do mandato de Bolsonaro, a democracia brasileira resistiu graças à atuação de atores políticos como a oposição e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A influência de Donald Trump e o contexto internacional para a eleição brasileira

Além da dinâmica interna, Avritzer chama atenção para a possível interferência do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump no processo eleitoral brasileiro, principalmente após a operação americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro. O cientista político alerta que os episódios recentes na América do Sul e as ações dos Estados Unidos podem exercer pressão e influenciar o cenário eleitoral do Brasil em 2026. Essa conjuntura internacional adiciona uma camada de complexidade à disputa política interna, num momento em que a estabilidade democrática ainda é considerada frágil por especialistas.

A democracia brasileira em disputa constante

Avritzer ressalta que, embora a defesa da democracia brasileira esteja em seu ponto mais forte da história recente, o regime democrático permanece em constante disputa, algo que ocorre desde os últimos cem anos no país. Nas avaliações do autor, o golpe que Bolsonaro tentou implementar no fim de seu mandato não logrou sucesso graças ao papel decisivo do STF, das forças militares que não apoiaram a ruptura e da oposição política. A resistência desses atores políticos foi crucial para assegurar a continuidade do sistema democrático, mesmo diante de valores antidemocráticos profundamente enraizados em segmentos da sociedade, evidenciados no episódio da invasão dos prédios dos Poderes em Brasília no dia 8 de janeiro.

O impacto da invasão dos Poderes em janeiro e o bolsonarismo radical

A invasão da sede dos Poderes em Brasília é considerada um evento singular e expressivo da capacidade de mobilização popular para uma insurreição arquitetada pelo bolsonarismo radical. Avritzer observa que esse episódio destaca a existência de uma parcela significativa da população brasileira que mantém valores antidemocráticos e que está disposta a agir contra as instituições do país. Essa situação evidencia que o regime democrático brasileiro está sob tensão e que o combate a essas forças será um desafio contínuo para a estabilidade política e social.

Cenários futuros para a direita e o governo Lula

No lado oposto do espectro político, Avritzer também aponta incertezas quanto à pressão que o Brasil poderá sofrer no período pós-operação americana na Venezuela, durante o governo Lula. A articulação da direita sem Bolsonaro e as tensões internacionais podem influenciar significativamente as eleições e o ambiente político brasileiro. O cientista político destaca que não está claro qual será o nível de influência externa e interna sobre o processo eleitoral, mostrando uma conjuntura aberta e repleta de desafios para a democracia e para a governabilidade do país em 2026.