Maioria dos imigrantes venezuelanos está em Roraima, Santa Catarina e Paraná, segundo dados de 2025

O Brasil conta com 582 mil venezuelanos residentes legalmente, concentrados principalmente em Roraima, Santa Catarina e Paraná, refletindo desafios e estratégias de acolhimento e integração.
Os venezuelanos no Brasil já somam 582 mil, conforme dados do Observatório das Migrações Internacionais atualizados em novembro de 2025. Eles representam cerca de 30% do total de 1,9 milhão de estrangeiros residentes legalmente no país, com a maioria concentrada em apenas três estados: Roraima (RR), Santa Catarina (SC) e Paraná (PR).
Contexto da migração venezuelana no Brasil
A principal porta de entrada para esses migrantes continua sendo Roraima, única unidade da federação com fronteira terrestre acessível entre Brasil e Venezuela. A cidade de Pacaraima é o ponto onde o governo federal mantém a operação Acolhida, em parceria com agências da ONU e ONGs, que proporciona atendimento inicial, alimentação, vacinação e inserção em programas sociais como o Bolsa Família.
Dentre os 582 mil venezuelanos residentes oficialmente, aproximadamente 142 mil vivem em Roraima, sendo que 497 mil foram recepcionados pela operação Acolhida, enquanto 76 mil são considerados refugiados ou exilados, com pedido formal ao governo brasileiro para permanência, justificado por violações de direitos humanos no país de origem.
Estratégias de interiorização e integração social
A maioria dos venezuelanos que ingressam pelo estado de Roraima não permanece lá. O governo brasileiro, desde 2018, promove uma política de interiorização que já transferiu cerca de 155 mil migrantes para mais de 1,1 mil municípios em diferentes regiões do país, promovendo a descentralização e melhor integração social e econômica.
Tipos de interiorização: Institucional: Transferência de abrigos governamentais ou de ONGs em Roraima para abrigos em cidades destino. Reunificação familiar: Migração para regiões onde familiares já estabelecidos possam oferecer apoio. Reunião social: Encontro com amigos ou familiares sem comprovação documental, desde que haja suporte garantido. Vaga de emprego sinalizada: Deslocamento para locais onde migrantes já têm oferta de trabalho formal.
Municípios que mais receberam venezuelanos por esse programa: Curitiba (PR): 8.930 São Paulo (SP): 6.241 Chapecó (SC): 6.149 Manaus (AM): 5.534 Dourados (MS): 4.636
Acolhimento e inserção no mercado de trabalho
Em Santa Catarina, que abriga cerca de cem mil venezuelanos, o governo estadual estruturou uma rede de assistência social focada em jovens adultos entre 25 e 40 anos, a maioria com ensino médio completo e uma parcela significativa com formação superior. A integração inclui apoio para obtenção de documentação e parcerias com organizações da sociedade civil para orientação profissional e encaminhamento a vagas.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2025 indicam que venezuelanos representaram 74,7% do saldo positivo na contratação de estrangeiros em Santa Catarina, com 14.135 contratações formais durante o ano.
Em Curitiba, a maior recebedora do programa de interiorização, existem abrigos estruturados e políticas de integração profissional que incluem feiras de emprego e encaminhamento para entrevistas, assegurando suporte inicial e acesso ao mercado de trabalho em até 90 dias.
Serviço e segurança na recepção dos venezuelanos
O governo federal e os estados envolvidos, como Roraima, Santa Catarina e Paraná, mantêm uma rede de serviços que engloba:
Atendimento médico e vacinação nos pontos de entrada.
Programas sociais de inclusão.
Apoio na documentação migratória com a Polícia Federal.
Fiscalização para evitar exploração laboral, especialmente em contratos promovidos por empresas.
Coordenação com ONGs e organismos internacionais para suporte social e psicológico.
Esta estrutura é fundamental para assegurar proteção, direitos humanos e a integração efetiva dos venezuelanos no contexto socioeconômico brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento local e a diversidade cultural.

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Reportagem com base em dados do Observatório das Migrações Internacionais e informações oficiais de 2025.
Fonte: noticias.uol.com.br





