Cooperação energética entre Brasil e Bolívia é fortalecida para garantir segurança e diversificação do fornecimento

Brasil e Bolívia firmam acordos para ampliar produção e importação de gás natural, fortalecer integração energética e desenvolver cooperação econômica.
Interdependência energética entre Brasil e Bolívia ganha novo impulso
A produção e importação de gás da Bolívia estão no centro dos esforços para fortalecer a segurança energética da América do Sul. Em 16 de março de 2026, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente boliviano Rodrigo Paz para alinhar estratégias que ampliem a cooperação no setor energético. Lula destacou a condição da Bolívia como maior fornecedora de gás natural para o Brasil e a importância de ampliar os investimentos e o volume exportado.
Desde décadas, a parceria com a Petrobras contribui para uma integração energética robusta, embora a participação da estatal na produção boliviana tenha caído de 60% para 25%. A modernização do Gasoduto Brasil–Bolívia é vista como peça chave para expandir o mercado de gás no Cone Sul e abastecer projetos industriais, como a possível fábrica de fertilizantes em Puerto Quijaro.
Acordos para interconexão elétrica e diversificação energética
Além dos esforços no gás natural, Brasil e Bolívia firmaram acordo para interconectar os sistemas elétricos dos dois países. A linha de transmissão entre Germán Busch (Santa Cruz) e Corumbá (Mato Grosso do Sul) possibilitará o uso mais eficiente dos recursos energéticos e levará eletricidade a áreas dependentes de diesel, promovendo sustentabilidade e redução de custos.
O Brasil também propõe cooperação para produção de biocombustíveis e outras fontes renováveis, buscando diversificar o fornecimento e avançar na descarbonização das economias. Essas iniciativas se inserem no contexto de desafios globais na provisão segura de combustíveis e reforçam o compromisso bilateral com a segurança energética.
Potencial econômico e investimentos bilaterais em expansão
Apesar da queda da balança comercial entre os países, de US$ 5,5 bilhões em 2013 para US$ 2,6 bilhões em 2025, há otimismo quanto à retomada do intercâmbio e investimentos. Lula ressaltou oportunidades nos setores de alimentos, sementes, biotecnologia e agroindústria, com apoio da Embrapa para inovação.
Rodrigo Paz destacou a capacidade de desenvolvimento da Bolívia e a importância da boa-fé nas relações com o Brasil, ressaltando o potencial em mineração e outros setores estratégicos. A visita oficial serviu para impulsionar o diálogo econômico e preparar eventos empresariais para ampliar o comércio e parcerias.
Integração física e facilitação do comércio com infraestrutura
A construção da segunda ponte entre Brasil e Bolívia, prevista para iniciar em 2027, faz parte das Rotas de Integração Sul-Americana e promete melhorar a conectividade logística. A ponte ligará Guajará-Mirim (Rondônia) a Guayaramerín (Beni), facilitando o escoamento pela costa do Pacífico e acesso a mercados asiáticos.
Este investimento estratégico reforça o compromisso conjunto de facilitar o comércio bilateral, ampliar rotas de exportação e consolidar a integração regional.
Cooperação contra crimes transnacionais e promoção do turismo
No âmbito da segurança, os governos assinaram acordo para intensificar combate ao crime organizado transnacional, incluindo tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro e crimes ambientais, com ações coordenadas para prevenção e repressão.
Também foi firmado um acordo de cooperação turística para promover o turismo e qualificação profissional nos dois países, favorecendo o desenvolvimento socioeconômico e cultural da região.
Em síntese, a visita oficial de Rodrigo Paz ao Brasil reforça a parceria estratégica entre as nações, ampliando a integração energética, econômica e social para enfrentar desafios comuns e promover o desenvolvimento sustentável na América do Sul.





