Reconhecimento histórico após quase cinco décadas de incertezas.

Certidão de óbito de Francisco Tenório Jr. é emitida após quase 50 anos de seu desaparecimento na Argentina.
Reconhecimento tardio e sua importância
O Brasil deu um passo significativo ao emitir a certidão de óbito do pianista Francisco Tenório Cerqueira Júnior, conhecido como Tenório Jr., quase cinquenta anos após seu desaparecimento em Buenos Aires. O documento foi oficialmente expedido pelo 4º Ofício do Gama, no Distrito Federal, após a solicitação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Esta ação representa não apenas um reconhecimento histórico, mas também uma tentativa de trazer à luz as injustiças cometidas durante a ditadura militar na Argentina.
O desaparecimento e a busca pela verdade
Tenório Jr. desapareceu em 18 de março de 1976, dias antes do golpe militar que depôs a então presidente Isabelita Perón. Ele estava em Buenos Aires para acompanhar a turnê do renomado cantor Vinícius de Moraes e de Toquinho. Seu desaparecimento se tornou um símbolo do terror estatal que assolou a América Latina nesse período. Após seu sumiço, rumores surgiram de que ele teria sido confundido com um militante político, levando a sua detenção por agentes do serviço secreto argentino.
Duas dias após o desaparecimento, um corpo foi encontrado em um terreno baldio em Tigre, o que gerou um processo de identificação, que, no entanto, falhou em recuperar os restos mortais do músico. O corpo foi enterrado como não identificado no cemitério de Benavídez.
Identificação e confirmação
Em setembro de 2025, a Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) conseguiu identificar Tenório Jr. por meio de impressões digitais. Essa identificação trouxe um alívio à sua família, que aguardava respostas desde o desaparecimento. Contudo, a dor da perda permanece, pois os restos mortais do pianista ainda não foram encontrados, e a família não teve a oportunidade de dar um sepultamento adequado.
A luta pela justiça e memória
A causa da morte de Tenório Jr. foi oficialmente confirmada em uma autópsia realizada em setembro de 2025, revelando que ele foi executado com cinco tiros. Essa informação, além de trágica, sublinha a brutalidade do regime militar argentino.
Em resposta a essa e outras injustiças, a Procuradoria de Crimes Contra a Humanidade da Argentina reabriu investigações sobre desaparecimentos ocorridos durante a ditadura, buscando responsabilizar aqueles que perpetraram esses atos. A família de Tenório Jr., que ficou sem seu pai e esposo, continua buscando justiça e reconhecimento.
Essa história, marcada pela dor e luta pela verdade, destaca a importância de lembrar e honrar as vítimas da repressão, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, onde muitos ainda aguardam por justiça e reconhecimento.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: preto e branca do Pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior





