Cooperativas de crédito impulsionam crescimento e movimentam R$ 848,37 bilhões no país, segundo AnuárioCoop 2026

Base de cooperados saltou de 15,6 milhões em 2019 para 29,02 milhões em 2025, com quase um em cada sete brasileiros integrado ao sistema
O Brasil registra a entrada de mais de 6 mil pessoas por dia no sistema cooperativista. A base de cooperados saltou de 15,6 milhões em 2019 para 29,02 milhões em 2025, segundo o AnuárioCoop 2026.
As cooperativas de crédito impulsionam o crescimento, funcionando como alternativa aos bancos tradicionais. Quase um em cada sete brasileiros integra uma das 4,4 mil cooperativas do país, que movimentam R$ 848,37 bilhões, mantêm 613,3 mil empregos diretos e acumulam R$ 1,6 trilhão em ativos.
Para abrir uma cooperativa, é preciso reunir pessoas em torno de uma necessidade comum e verificar se ela pode virar negócio. O número mínimo de fundadores varia conforme a atividade: sete pessoas nas cooperativas de trabalho e até 20 no ramo agropecuário.
A diferença para outras empresas é que a cooperativa é uma sociedade de pessoas físicas, que se tornam cooperadas e formam uma pessoa jurídica com CNPJ próprio. O Sistema de Organização das Cooperativas (OCB) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) orientam os grupos interessados antes da formalização, com análise do enquadramento da atividade, formação do quadro de cooperados e viabilidade do projeto.
Nem toda consulta termina com uma nova cooperativa. Um exemplo recente foi uma associação de madeireiras do Paraná que queria formar uma cooperativa para compras conjuntas, mas não se enquadrou no formato porque a movimentação seria feita pelas empresas, não pelas pessoas físicas.
Jessé Aquino, coordenador de Monitoramento do Sescoop/PR, explica que não basta cumprir o número mínimo de fundadores: “Não adianta só um querer puxar e os outros não, porque se não tiver uma movimentação econômica do cooperado na cooperativa, não vai dar certo”.
A Cooptur, primeira cooperativa brasileira formada por empreendedores do turismo, nasceu no Paraná em 2004 com 20 cooperados. A proposta inicial era montar roteiros de lazer pelo interior do Estado, mas o turista não apareceu na quantidade esperada. A solução veio de cooperativas de outras regiões que queriam visitar o Paraná para conhecer experiências locais. Hoje a cooperativa possui 45 associados e recebe mais de cem grupos por ano.
Márcio Miranda, vice-presidente e diretor executivo da Cooptur, destaca o papel da Ocepar no processo: “Se não fosse o papel da Ocepar nesse contexto, dificilmente a gente teria construído uma cooperativa”.






