Avanço pioneiro da USP busca gerar órgãos suínos geneticamente modificados para uso em transplantes sem rejeição imunológica

USP cria o primeiro porco clonado da América Latina para fornecer órgãos geneticamente modificados ao SUS, avançando na técnica de xenotransplante.
Confira a importância do porco clonado para transplantes no SUS
O nascimento do primeiro porco clonado para transplantes na América Latina, registrado em laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), em Piracicaba, marca um avanço decisivo no desenvolvimento da técnica de xenotransplante no Brasil. A iniciativa, liderada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), visa fornecer órgãos suínos geneticamente modificados para o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando as opções para pacientes que aguardam transplantes.
O desafio biológico na clonagem de suínos para uso médico
A clonagem de suínos é considerada uma das técnicas mais sofisticadas e desafiadoras, especialmente por razões biológicas ainda pouco compreendidas. Diferente da experiência consolidada com bovinos e equinos, a clonagem de porcos exigiu a superação de barreiras técnicas específicas, conforme relata Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da USP e principal pesquisador do projeto. O sucesso deste processo é vital para garantir a viabilidade do xenotransplante no país.
Modificação genética avançada com CRISPR/Cas9 para evitar rejeição
Uma das etapas mais estratégicas do projeto foi a utilização da tecnologia CRISPR/Cas9 para editar o genoma dos porcos clonados. Essa ferramenta permitiu a inativação precisa de genes que causariam rejeição imunológica, além da inserção de genes humanos que promovem maior compatibilidade dos órgãos com o organismo receptor. Essa complexa engenharia genética assegura que os órgãos extraídos possam ser aceitos pelo sistema imunológico humano, reduzindo drasticamente os riscos de rejeição.
Infraestrutura pioneira para criação e manejo seguro dos porcos clonados
Para garantir a segurança e a qualidade dos órgãos, os suínos geneticamente modificados são mantidos em instalações especiais com alto nível de biossegurança, livre de patógenos. Dois laboratórios foram construídos, um no campus da USP em São Paulo e outro no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Esses biotérios são essenciais para o controle sanitário rigoroso exigido, uma vez que os órgãos transplantados devem ser produtos médicos seguros para os pacientes.
Impacto e futuro do xenotransplante no sistema público brasileiro
O projeto tem como meta fornecer órgãos que atendam a 94% da demanda do SUS, incluindo rim, córnea, coração e pele. O domínio desta tecnologia é estratégico para o Brasil, pois evita dependência de importações e fortalece o sistema nacional de transplantes, que é o maior sistema público do mundo. A expectativa é que São Paulo se torne a capital latino-americana do xenotransplante, beneficiando também países vizinhos que ainda não dispõem dessa tecnologia.
Perspectivas clínicas globais e contribuição brasileira para o xenotransplante
Embora ainda não exista aprovação oficial para o xenotransplante em humanos, estudos clínicos nos Estados Unidos e na China avançam para avaliação da eficácia e segurança dessa prática. No Brasil, o desenvolvimento do porco clonado geneticamente modificado posiciona o país como protagonista nessa área, com potencial para oferecer tratamentos inovadores e salvar vidas de pacientes com condições críticas e espera prolongada por transplantes humanos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Docme Comunicação para Genoma USP/divulgação





