Análise da crescente influência das potências no território brasileiro.

Análise sobre a crescente influência dos EUA e China no Brasil.
A crescente competição entre Estados Unidos e China pelo domínio econômico e tecnológico no Brasil traz à tona uma realidade complexa e desafiadora. O Brasil, com sua vasta riqueza em recursos naturais e mercado em expansão, se tornou um território estratégico para essas duas potências. Enquanto os EUA ainda mantêm uma forte presença devido ao investimento direto, a China tem avançado significativamente, especialmente em setores como infraestrutura, telecomunicações e comércio.
A dominância dos EUA e sua dependência digital
Os Estados Unidos ainda lideram em termos de investimento direto no Brasil, o que se traduz em uma dependência significativa em serviços digitais. Aproximadamente 60% da carga digital brasileira está hospedada em datacenters localizados na Virgínia, o que inclui serviços essenciais como operações bancárias e comércio eletrônico. Além disso, grandes empresas como Microsoft e Amazon têm feito investimentos substanciais no país; a Microsoft, por exemplo, anunciou um investimento de R$ 14,7 bilhões em cloud computing.
O crescente poder da China
Por outro lado, a influência da China tem crescido em vários setores. Com 90 milhões de usuários do TikTok e 60 milhões do Kwai, as plataformas chinesas estão rapidamente se tornando populares no Brasil, competindo com gigantes como Google e Meta. A presença da China também é notada em infraestrutura, onde a Huawei domina cerca de 44% do mercado de 5G.
Comércio e superávit: um dilema
O Brasil tem visto um aumento nas importações da China, que se tornou seu maior fornecedor, respondendo por 25% das importações totais. Em 2023, o país registrou um superávit de US$ 50 bilhões com a China, que caiu para US$ 27 bilhões em 2025. No entanto, o Brasil continua vendido principalmente soja, minério de ferro e petróleo, o que levanta preocupações sobre a primarização da economia.
Perspectivas futuras
Com o cenário atual, fica evidente que o Brasil precisa diversificar suas parcerias comerciais. A recente Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, que não resultou em um acordo com a União Europeia, exemplifica a urgência dessa necessidade. Em um mundo cada vez mais polarizado, o Brasil deve encontrar um equilíbrio para evitar ser apenas um campo de batalha entre as potências.
A busca por novas alianças comerciais, como a aproximação com o Vietnã, e a tentativa de assinar acordos com a Europa, são passos importantes que o Brasil deve considerar. Contudo, a questão permanece: conseguirá o Brasil se afirmar como um player relevante no cenário internacional, sem cair nas armadilhas da dependência e da primarização?
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Ronaldo Lemos





