Brasil enfrenta veto para produzir genérico do lenacapavir e risco de alta no preço pelo sus

Medicamento injetável inovador contra o HIV tem acesso ameaçado pela decisão da farmacêutica detentora da patente

Brasil enfrenta veto para produzir genérico do lenacapavir e risco de alta no preço pelo sus
Medicamento lenacapavir é injetável e previne HIV com aplicação semestral. Foto: Divulgação/Gilead Sciences

Lenacapavir, injetável contra HIV, tem produção genérica vetada para o Brasil; preço elevado ameaça fornecimento pelo SUS.

Brasil é vetado de fabricar genérico do lenacapavir apesar da aprovação da Anvisa

O lenacapavir, medicamento injetável para prevenção ao HIV aprovado pela Anvisa em 12 de janeiro, enfrenta barreiras para seu acesso no Brasil. A farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, detentora da patente, vetou o país da produção do genérico, restringindo a fabricação a apenas 120 países considerados de baixa e média renda. Essa decisão coloca em risco a ampliação do acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que o preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) poderá ser elevado e inviabilizar a compra em larga escala.

O impacto da exclusão do Brasil dos acordos de licenciamento voluntário da Gilead

A Gilead Sciences mantém acordos de licenciamento voluntário para produção do lenacapavir em vários países, visando ampliar o acesso a versões genéricas do medicamento. Contudo, o Brasil não foi contemplado nesse grupo, justificado pela empresa como um país com boa capacidade de financiamento da saúde pública. Entretanto, especialistas destacam que essa exclusão é problemática diante do elevado número de infecções pelo HIV no país. Beatriz Grinsztejn, pesquisadora da FioCruz e presidente da International Aids Society, classifica essa situação como um entrave que prejudica a possibilidade de adoção do medicamento pelo SUS devido ao alto custo.

Preço do lenacapavir: contraste entre mercado e produção genérica

O lenacapavir comercializado pela Gilead custa cerca de US$ 25,3 mil ao ano por pessoa nos Estados Unidos, podendo atingir até US$ 44,8 mil em alguns casos. Estudos científicos publicados indicam que uma versão genérica poderia custar entre US$ 25 e US$ 47 ao ano, uma diferença substancial. A disparidade de valores evidencia a importância da produção local e da negociação de preços para garantir acessibilidade. Organizações internacionais como a Unaids criticam o preço atual e pedem que a farmacêutica reduza o valor para assegurar o combate efetivo à Aids globalmente.

Inovação terapêutica do lenacapavir e suas vantagens na prevenção do HIV

Diferentemente dos antirretrovirais tradicionais que atuam em enzimas do vírus, o lenacapavir é um inibidor do capsídeo do HIV-1, comprometendo a “casca” que protege o material genético viral. Essa ação causa uma desregulação do ciclo de replicação viral, dificultando a resistência do vírus ao medicamento. Outro benefício é sua aplicação semestral, reduzindo a frequência e aumentando a adesão ao tratamento profilático. Essas características representam um avanço significativo na prevenção da infecção pelo vírus.

Cenário epidemiológico e desafios para o controle do HIV no Brasil

O Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025 aponta que o Brasil registrou 39.216 novos casos de HIV em 2024, com uma taxa de 18,4 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente superior ao ano anterior. Apesar da redução nos casos de Aids e na mortalidade, o país ainda enfrenta desafios, especialmente entre homens jovens de 20 a 29 anos, grupo com maior incidência. A disponibilidade de medicamentos eficazes e acessíveis como o lenacapavir é fundamental para avançar na prevenção e controle da epidemia.

Avaliação das políticas públicas e o futuro do lenacapavir no SUS

A decisão da Gilead em não incluir o Brasil nos acordos de licenciamento voluntário impõe um desafio às políticas públicas de saúde. A definição do preço pelo CMED e a posterior avaliação da Conitec e do Ministério da Saúde serão decisivas para o acesso ao lenacapavir pelo SUS. Especialistas alertam para a necessidade de estratégias que garantam o acesso a tecnologias inovadoras sem comprometer a sustentabilidade financeira do sistema. A cooperação entre indústria, governo e entidades da sociedade civil será essencial para superar os obstáculos atuais e ampliar a prevenção do HIV no país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Divulgação/Gilead Sciences