Medida busca suprir a demanda e evitar desabastecimento no tratamento de diabetes

Após 20 anos, Brasil volta a produzir insulina, mas entidades alertam para riscos de desabastecimento.
Retomada da produção de insulina no Brasil
Após um longo período de dependência do mercado externo, o Brasil voltou a produzir insulina, encerrando 20 anos de interrupção. Essa mudança se dá em meio a preocupações sobre o abastecimento do medicamento, essencial para o tratamento de diabetes, uma condição que afeta mais de 16 milhões de brasileiros. A produção é resultado de acordos de transferência tecnológica entre o Ministério da Saúde e laboratórios internacionais, como Wockhardt e Gan&Lee.
Acordos e laboratórios envolvidos na produção
Os laboratórios públicos Funed, em Minas Gerais, e Bio-Manguinhos, no Ceará, são os responsáveis pela produção do fármaco. A Funed já iniciou a fabricação das insulinas regular e NPH, com a entrega de mais de 1 milhão de unidades desde julho. A expectativa é de que, até o final de 2026, sejam produzidos até 8 milhões de doses. Em contrapartida, Bio-Manguinhos deve iniciar a produção da insulina glargina, embora ainda não haja uma data definida para o começo da fabricação.
Desabastecimento e preocupações de profissionais de saúde
Entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, têm alertado sobre a falta de insulina nos últimos anos. No fim de 2024, o Conselho Federal de Medicina (CFM) considerou a situação “grave” e pediu ações imediatas. No entanto, o Ministério da Saúde nega que haja desabastecimento no SUS, afirmando que nenhum usuário ficou sem acesso ao medicamento, o que contrasta com a realidade vivida por muitos pacientes.
Impactos da falta de insulina na saúde pública
A falta de insulina pode levar a complicações graves, como hiperglicemia, infartos e AVC. A escassez do medicamento se intensificou, especialmente após o aumento na demanda por canetas de insulina para emagrecimento. Especialistas afirmam que a indústria farmacêutica prioriza esses novos produtos, deixando os pacientes com diabetes em segundo plano. Carolina Sibila, usuária do medicamento, relatou dificuldades em encontrá-lo nas farmácias, evidenciando o impacto direto da falta de insulina na vida dos pacientes.
Expectativas para o futuro da produção de insulina
Embora a retomada da produção de insulina seja vista como um avanço, especialistas como Francisco Cardoso, do CFM, consideram que a capacidade atual pode não ser suficiente para resolver os problemas de abastecimento no curto prazo. A ampliação da produção e a diversificação das insulinas disponíveis no mercado são passos importantes, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Profissionais de saúde e usuários esperam que as novas iniciativas sejam efetivas para garantir a disponibilidade do medicamento crucial para a saúde dos diabéticos no Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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