Brasileiros continuam comprando em sites internacionais mesmo com taxas

Pesquisa mostra que 85% dos consumidores defendem menores impostos sobre produtos nacionais

Brasileiros continuam comprando em sites internacionais mesmo com taxas
Mônica Bergamo. Foto: Mônica Bergamo

Estudo revela que 85% dos brasileiros concordam em reduzir impostos sobre produtos nacionais.

Compras em sites internacionais seguem altas apesar da taxa das blusinhas

Uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva, realizada entre 12 e 19 de novembro, indica que as compras em sites internacionais permanecem populares entre os brasileiros, mesmo após a implementação da taxa das blusinhas, que entrou em vigor em agosto de 2024. Dos entrevistados, 85% afirmaram que produtos nacionais não deveriam pagar impostos mais altos do que os importados.

Impacto da taxa das blusinhas no consumo

A pesquisa, que envolveu 2.500 pessoas em todo o Brasil, revelou que apenas 10% dos consumidores deixaram de utilizar esses canais de compra. A maioria, 52%, manteve o mesmo nível de consumo, enquanto 18% aumentaram suas compras. Por outro lado, 37% relataram que estão comprando menos, mas ainda assim continuam a usar esses plataformas. A taxa imposta eleva os impostos sobre produtos de até US$ 50 para 20% e entre US$ 50 e US$ 3.000 para 60%.

O perfil dos consumidores que deixaram de comprar

Entre aqueles que reduziram o consumo, 14% pertencem às classes A e B, enquanto 11% fazem parte das classes C, D e E. Esses dados mostram que a taxa não afetou de maneira uniforme todos os grupos sociais, evidenciando que as classes mais altas ainda se sentem confortáveis para continuar comprando.

Opinião pública sobre impostos e candidatos

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destacou que 80% dos entrevistados afirmaram que não apoiariam candidatos que favorecem empresas estrangeiras em detrimento das brasileiras. Essa informação sugere um custo político significativo para qualquer proposta de eliminação da taxa das blusinhas. Além disso, 85% concordaram que é injusto que produtos fabricados no Brasil sejam tributados mais pesadamente do que os importados.

A posição da ABVTEX

A ABVTEX, que encomendou a pesquisa, defende a taxa como uma forma de equilibrar a concorrência entre o varejo nacional e as plataformas internacionais. Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTEX, mencionou que a carga tributária nacional é drasticamente mais alta, com impostos que podem chegar a 90%. Ele acredita que a divulgação dos resultados da pesquisa pode ajudar a conscientizar a população sobre a necessidade de uma política tributária mais justa.

Conclusão

O levantamento do Instituto Locomotiva não apenas revela a resiliência dos consumidores brasileiros em relação às compras em sites internacionais, mas também destaca uma crescente insatisfação com a desigualdade tributária entre produtos nacionais e estrangeiros. A maioria dos brasileiros se mostra disposta a defender seus interesses e a buscar mudanças nas políticas fiscais que afetam diretamente suas escolhas de consumo.

Fonte: redir.folha.com.br

Fonte: Mônica Bergamo