BRB confirma renúncia de conselheiros após ligação a fundo Reag

Banco de Brasília enfrenta impacto na governança com saída de membros indicados por fundo ligado à gestora investigada Reag

BRB confirma renúncia de conselheiros após ligação a fundo Reag
Sede do Banco de Brasília (BRB), instituição estatal que anunciou renúncia de conselheiros Foto:

BRB renúncia conselheiros ligados a fundo Reag revela tensões em sua gestão e envolve investigações sobre operações financeiras.

BRB renúncia conselheiros indicados por fundo relacionado à Reag

O Banco de Brasília (BRB) confirmou a renúncia de Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, conselheiros cujas indicações foram atribuídas ao fundo Borneo, administrado pela gestora Reag, atualmente liquidada pelo Banco Central. A decisão, anunciada em fato relevante na sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, ocorre em um contexto delicado para a instituição, que está sob investigação por relações com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Contexto da ligação entre BRB, fundo Borneo e Reag

O fundo Borneo possui cerca de 3,1% do capital do BRB e foi apontado pelas autoridades como parte de uma rede de participações ocultas que envolvem o Banco Master e Daniel Vorcaro. A gestora Reag, responsável pela administração do Borneo, é investigada em operações que desvendam fraudes e participação do crime organizado no mercado financeiro. A indicação dos conselheiros Vasconcelos e Sousa pelo fundo consta em ata de reunião do banco datada de março de 2025, mas ambos declararam desconhecer qualquer vínculo com o fundo ou seus administradores.

Impactos da renúncia na governança e estratégia do Banco de Brasília

A saída dos dois membros do conselho, que ocupavam cargos de titular e suplente, sinaliza um desgaste na governança do BRB e levanta dúvidas sobre a influência de agentes externos na gestão do banco estatal. Desde o início do ano, o BRB atualizou seu formulário de referência na CVM, revelando que João Carlos Falbo Mansur, fundador da Reag Investimentos, é um dos principais acionistas do banco. Mansur foi alvo de operações policiais que investigam o envolvimento do crime organizado no setor financeiro, o que reforça o cenário de incertezas para a instituição.

Auditoria interna e investigação sobre aumento de capital do BRB

Uma auditoria interna instalada no BRB para apurar as relações com o Banco Master destaca suspeitas sobre a atuação de antigos gestores. Vorcaro, Mansur e Maurício Quadrado, sócio do ex-banqueiro do Master, se tornaram acionistas do banco por meio de fundos de investimento durante uma oferta de ações que captou R$ 1 bilhão em 2024. Essa expansão patrimonial levanta questionamentos de investigadores sobre supostas estratégias para ampliar a capacidade do BRB nos negócios com o Banco Master, potencialmente comprometendo a integridade da instituição.

Desafios futuros para o BRB diante das investigações e renúncias

O BRB enfrenta agora o desafio de restabelecer a confiança do mercado e de seus acionistas após a renúncia dos conselheiros e as investigações envolvendo gestores e acionistas ligados à Reag e ao Banco Master. A instituição precisará reforçar seus mecanismos de compliance e transparência para evitar novas crises e assegurar a solidez de sua administração. As próximas etapas da auditoria interna e o desdobramento das operações policiais serão decisivos para o futuro do banco estatal.

Fonte: www1.folha.uol.com.br