Sistema próprio para transferências diretas entre moedas locais visa driblar o dólar e o Swift

Brics Pay propõe pagamentos instantâneos entre moedas locais para reduzir o uso do dólar e do Swift no comércio internacional.
Brics Pay e a redução da dependência do dólar nas transações internacionais
O Brics Pay surge como uma tentativa do bloco BRICS de reduzir a dependência do dólar e do sistema Swift no comércio internacional. Durante a última reunião do grupo, foi apresentada a proposta de um sistema próprio de pagamentos que conecta os países-membros por meio de transferências diretas entre moedas locais, como real, yuan, rúpia, entre outras. Thiago Godoy, especialista financeiro, destaca que o aplicativo visa simplificar as operações comerciais internas do bloco, permitindo transações instantâneas, semelhantes ao modelo do Pix.
Funcionamento do Brics Pay e comparações com sistemas existentes
O sistema Brics Pay está projetado para operar com pagamentos instantâneos e integrar os sistemas nacionais já existentes em cada país do bloco. A ideia é permitir que uma transação entre Brasil e China seja realizada diretamente entre real e yuan, eliminando a necessidade de conversão para dólar e o uso do Swift, plataforma tradicionalmente controlada pelos EUA. Essa funcionalidade pretende oferecer maior rapidez e segurança para os operadores comerciais do bloco.
Implicações geopolíticas e a busca por autonomia financeira
A discussão sobre o Brics Pay também envolve questões geopolíticas significativas. Marilia Fontes, especialista em renda fixa, afirma que o movimento do bloco em criar alternativas ao Swift está relacionado à possibilidade de sanções internacionais que possam bloquear ou restringir o acesso ao sistema financeiro global dominado pelo dólar. Assim, o Brics Pay pode representar uma estratégia para garantir a continuidade do comércio mesmo em cenários adversos.
Desafios e visões divergentes sobre o alcance do projeto
Apesar do potencial estratégico, o projeto enfrenta desafios. Bernardo Pascowitch, CEO do Yubb, aponta que há diferenças entre fortalecer acordos comerciais e criar um sistema de pagamentos integrado que permita acesso governamental às transações de pessoas físicas. Ele ressalta que exemplos como a União Europeia não possuem sistemas centralizados desse tipo, o que indica complexidades técnicas e políticas a serem enfrentadas para o pleno funcionamento do Brics Pay.
Impactos no comércio internacional e futuro das moedas locais
A implantação do Brics Pay pode impulsionar o uso das moedas locais entre os países do bloco, promovendo maior autonomia frente ao dólar americano. Isso poderá influenciar o panorama do comércio internacional, reduzindo custos e riscos de conversão cambial. No entanto, a consolidação desse sistema dependerá da cooperação tecnológica, política e financeira entre os membros do BRICS, além da aceitação dos mercados internos e internacionais.
O Brics Pay representa uma iniciativa ambiciosa que busca alavancar a integração econômica do bloco e diminuir a vulnerabilidade às flutuações e imposições do sistema financeiro global atual. Seu desenvolvimento e adoção acompanharão de perto o cenário geopolítico e as dinâmicas comerciais mundiais.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





