Estudo da CNI aponta potencial da cabotagem para diminuir até 8,2% das emissões de CO₂ no setor de cargas

A cabotagem de contêineres pode reduzir até 8,2% as emissões líquidas de CO₂ no setor de transporte de cargas no Brasil, segundo estudo da CNI.
A cabotagem de contêineres como estratégia para redução de emissões no transporte brasileiro
A cabotagem de contêineres pode reduzir significativamente as emissões líquidas de CO₂ no setor de transporte de cargas no Brasil, conforme estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 23 de fevereiro de 2026. O levantamento aponta potencial para diminuição das emissões em até 8,2%, caso haja ampliação do transporte por essa modalidade. O ator central desse cenário é o modal marítimo, que atualmente representa cerca de 9% da movimentação total de cargas no país, bem abaixo de outros países com grandes litorais, como Japão, União Europeia e China.
Impacto ambiental comparado entre cabotagem e transporte rodoviário
Segundo o estudo da CNI, a cabotagem emite entre 12% e 15% do volume de CO₂ emitido por um caminhão para transportar a mesma carga. Atualmente, o modal rodoviário domina a matriz logística brasileira, respondendo por 66,2% da movimentação e por 92% das emissões do transporte de cargas. Essa concentração faz do transporte rodoviário o principal responsável pelas emissões do setor, que representam 13,5% das emissões líquidas brasileiras de gases de efeito estufa. A mudança para a cabotagem apresenta, portanto, uma oportunidade relevante para a redução do impacto ambiental.
Potencial de crescimento da cabotagem e seus desafios estruturais
O estudo demonstra que o volume transportado por cabotagem pode quadruplicar no longo prazo, caso sejam superados os atuais gargalos. Mesmo em cenário conservador, considerando apenas os portos que já oferecem serviços de cabotagem, o transporte poderia crescer 163%, mais do que dobrando o nível atual. Contudo, a expansão enfrenta obstáculos importantes, como acesso precário aos portos, necessidade de dragagem para garantir a navegabilidade, limitação da capacidade dos terminais e excessiva burocracia, que impõe exigências documentais similares às do transporte internacional.
A influência da cabotagem na matriz logística e na economia sustentável
A diversificação da matriz de transporte com maior participação da cabotagem pode contribuir não apenas para a redução das emissões, mas também para a eficiência logística e competitividade do setor de cargas. O modal marítimo tem potencial para descongestionar as rodovias, reduzir custos operacionais e aumentar a segurança do transporte. A ampliação da cabotagem está alinhada com as metas de sustentabilidade e compromissos ambientais do Brasil, destacando o papel estratégico do setor portuário e marítimo para um desenvolvimento mais sustentável.
Perspectivas políticas e ações necessárias para fortalecer a cabotagem no Brasil
Para que o potencial da cabotagem seja plenamente explorado, é fundamental que políticas públicas e investimentos sejam direcionados à melhoria da infraestrutura portuária, à simplificação dos processos burocráticos e à ampliação da capacidade operacional dos terminais. O fortalecimento do marco regulatório e incentivos para utilização do modal podem acelerar a transição para um transporte de cargas mais verde e eficiente. A atuação conjunta dos setores público e privado será essencial para superar os desafios e maximizar os benefícios ambientais e econômicos da cabotagem no país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: m mostra Porto de Paranaguá, no Paraná • Divulgação/MPor





