Ritmo mais devagar da safra brasileira impulsiona preços do café arábica e robusta nas bolsas

O café encerrou a semana com alta nas bolsas internacionais, influenciado pelo atraso na colheita brasileira e expectativa de oferta gradual.
Café mantém alta nas bolsas internacionais impulsionada pela colheita brasileira
O café alta nas bolsas foi confirmado ao final da sexta-feira, 12 de fevereiro de 2026, com contratos futuros tanto do arábica quanto do robusta apresentando significativa valorização nas principais bolsas internacionais. O ritmo mais lento da colheita brasileira contribui para a sustentação dos preços, já que a entrada da nova safra no mercado acontece de forma gradual, reduzindo a pressão imediata sobre as cotações.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho/26 do café arábica fechou cotado a 257,20 cents de dólar por libra-peso, registrando alta de 325 pontos. Os contratos de setembro/26 e dezembro/26 também avançaram expressivamente, com ganhos de 315 e 325 pontos, respectivamente. Paralelamente, em Londres, o robusta apresentou valorização similar, com o contrato julho/26 subindo 131 pontos e encerrando a sessão a US$ 3.594 por tonelada.
Impactos do atraso da colheita nas regiões produtoras brasileiras
O atraso da colheita em algumas regiões produtoras do Brasil tem sido um dos principais fatores que impulsionam o café alta nas bolsas. As chuvas registradas durante o ciclo agrícola contribuíram para desacelerar os trabalhos de campo, impactando o ritmo da entrada da safra nova. Esta dinâmica reduz a oferta imediata e, consequentemente, sustenta os preços no mercado internacional.
Apesar do avanço dos trabalhos, a colheita ainda está atrás do cronograma do ano anterior em diversas localidades, criando um cenário de oferta mais restrita no curto prazo. Os produtores e analistas seguem atentos às condições climáticas e à qualidade dos grãos colhidos, que até o momento apresentam resultados bons, mas ainda sem indicações de desempenho excepcional.
Estimativas de safra recorde e seus reflexos no mercado mundial
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elevou a previsão para a produção nacional de café em 2026 para 66,8 milhões de sacas, o que representa um novo recorde histórico para o país. Esta perspectiva amplia a expectativa de uma maior oferta no segundo semestre, o que tende a equilibrar o mercado e limitar aumentos mais pronunciados nos preços.
Contudo, apesar das projeções positivas, ainda há incertezas quanto à qualidade e rendimento dos grãos, especialmente considerando que a colheita e o beneficiamento seguem em estágio inicial. A Gerência de Desenvolvimento Agrícola do Sistema FAEMG ressalta que os resultados preliminares indicam potencial produtivo bom, mas sem sinais claros de excepcionalidade.
Recuperação das exportações brasileiras e tendência para os próximos meses
As exportações brasileiras de café mostraram recuperação em maio, conforme dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Esse crescimento foi impulsionado pela entrada dos primeiros volumes da nova safra, especialmente de cafés canéforas. O movimento indica que o mercado externo está absorvendo a oferta disponível, contribuindo para a manutenção dos preços.
Com o avanço da colheita e o aumento dos embarques, o mercado permanece atento ao balanço entre oferta e demanda. A expectativa é que o comportamento dos preços do café nas próximas semanas continue influenciado pelo equilíbrio entre uma safra potencialmente recorde e as dúvidas ainda existentes sobre rendimento e qualidade.
Perspectivas para o mercado e fatores determinantes para as cotações futuras
O cenário atual do café alta nas bolsas reflete uma combinação complexa entre o ritmo da colheita no Brasil, as condições climáticas, o desempenho das exportações e as estimativas de produção. Enquanto a oferta mais lenta oferece suporte aos preços, a projeção de maior volume para 2026 limita movimentos de valorização mais intensos.
Os agentes do mercado seguem analisando esses fatores para definir estratégias de comercialização e investimento. As próximas semanas serão decisivas para confirmar o potencial da nova safra e ajustar as expectativas sobre o comportamento dos preços no mercado internacional.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br





