Câmara acelera reforma tributária: mudanças no IBS em foco

Discussões sobre a nova governança fiscal estão em andamento

Câmara dos Deputados avança na votação da reforma tributária, com mudanças no IBS e expectativa de sanção até o final de 2025.

O avanço na reforma tributária brasileira é um dos temas mais debatidos atualmente na Câmara dos Deputados. A necessidade de uma nova estrutura de impostos sobre o consumo se torna cada vez mais premente, com a expectativa de que o novo sistema comece a operar em 2026. O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) é um dos pilares dessa mudança, e o projeto de lei complementar (PLP 108/2024) que o regulamenta está em fase de votação.

Entenda o Caso

A reforma tributária proposta visa simplificar o sistema fiscal brasileiro, que é frequentemente criticado pela sua complexidade e pela alta carga tributária. O IBS substituirá gradualmente o ICMS e o ISS, unificando a tributação sobre o consumo. A implementação do IBS requer uma governança clara e regras bem definidas para arrecadação e distribuição dos tributos, o que é exatamente o que o PLP 108 busca estabelecer. Além disso, a nova legislação também se propõe a combater a sonegação e a fraude fiscal, especialmente no setor de combustíveis.

Detalhes do Acontecimento

Na última semana, o relator da proposta, deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), apresentou um parecer preliminar que traz modificações ao texto que foi enviado pelo Senado. Uma das alterações mais significativas foi a rejeição da criação da Câmara Nacional de Integração do Contencioso Administrativo, uma proposta que visava unificar entendimentos sobre o IBS e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Benevides argumentou que isso poderia aumentar a burocracia e gerar conflitos institucionais.

Outro ponto importante é a manutenção do teto de 2% para o Imposto Seletivo sobre bebidas açucaradas, uma questão que gerou debates acalorados entre senadores e deputados. A composição do Comitê Gestor do IBS também foi preservada, garantindo uma divisão paritária entre representantes de estados e municípios, o que busca encerrar disputas que atrasaram a tramitação do projeto.

A pressão para que a reforma seja concluída rapidamente vem de secretários estaduais de Fazenda, que alertam para o risco de desorganização na arrecadação e fiscalização caso a regulamentação não seja finalizada até o fim de 2025. Sem uma estrutura permanente, o Comitê Gestor provisório não poderá coordenar a fase de testes do novo sistema.

Impactos e Prazos

O tempo é um fator crítico na implementação da reforma tributária. A partir de janeiro de 2026, os estados e municípios precisam estar prontos para iniciar a adaptação dos sistemas tributários às novas regras. Caso o projeto não seja aprovado, a insegurança jurídica pode paralisar o processo de transição, causando um descompasso entre a regulamentação federal e a estadual, o que poderia concentrar poder na União e fragilizar o equilíbrio federativo.

O debate sobre a reforma tributária não é apenas uma questão técnica, mas também política, envolvendo diversas esferas de governo e a sociedade civil. A conclusão dessa etapa é vista como essencial para a previsibilidade do sistema tributário brasileiro, o que pode impactar diretamente a economia do país e a vida dos cidadãos.