Mãe de menina morta por bala perdida e ex-mulher de deputado acompanharam candidatos na TV Globo nesta quinta-feira

Nos bastidores do debate da TV Globo, campanhas do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro apostaram em convidados com forte apelo emocional para desestabilizar adversários.
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) apostaram em convidados com forte apelo emocional e conexão com episódios sensíveis para desestabilizar um ao outro no debate da TV Globo, segundo apuração de O Globo.
A equipe de Flávio levou Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba (MG) e ex-mulher do deputado federal André Janones (Rede-MG). Já a campanha de Lula chegou acompanhada de Cristiane Gomes, mãe da menina Ana Clara, que foi morta aos 5 anos ao ser atingida por uma bala perdida na porta de casa.
Segundo Leandra, Janones teria feito chantagens envolvendo a ameaça de divulgar fotos e vídeos íntimos gravados sem autorização. A prefeita também afirma que o ex-marido teria exigido a exoneração de secretários sob pena de vazamento do material. Janones nega as acusações.
Leandra conseguiu uma medida protetiva contra Janones, que não foi aos estúdios da Globo para o debate.
Ana Clara foi morta em fevereiro de 2021 ao ser atingida por uma bala perdida na porta de casa, na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói (RJ). O principal suspeito pelo disparo é o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli. O caso ganhou tração política após a série “Revelando” apontar que Flávio atuou como advogado de defesa do policial.
O deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT-RJ), aliado de Lula, acompanhou Cristiane no estúdio. A mãe da vítima assistiu ao debate posicionada na primeira fileira, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Durante o debate, Lula questionou o senador sobre sua atuação na defesa do PM. Flávio disse acreditar na inocência de Delaroli. Ao se dirigir diretamente a Cristiane, o candidato do PL trocou os nomes e chamou a mãe de Ana Clara pelo nome da filha.
“Sabe o que aconteceu ali? É um território dominado por esses narcoterroristas que ele [Lula] defende. Ana Clara, eu quero falar pra senhora: prestar, de verdade, a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12. Era uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada. A senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí. E o que eu estou fazendo, é fazendo porque eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo.”






