Cantareira recupera nível com chuvas, mas abastecimento permanece crítico

Sistema Cantareira avança para 29% de volume útil em fevereiro, porém cenário de restrição continua para a Região Metropolitana de São Paulo

Cantareira recupera nível para 29% em fevereiro, mas restrições no abastecimento seguem para milhões na Região Metropolitana de São Paulo.

Confira a recuperação do nível do sistema Cantareira em fevereiro

O sistema Cantareira recupera nível atingindo 29% de volume útil em 10 de fevereiro, conforme dados da Sabesp. Esse avanço ocorre após um cenário de chuvas que alcançaram 81,5% da média esperada para o mês até a data informada, superando os 72% registrados em janeiro. O conjunto de reservatórios que compõem o Cantareira, crucial para abastecer cerca de 22 milhões de habitantes na Região Metropolitana de São Paulo, ainda opera em uma faixa crítica de captação.

Cenário atual da operação e impacto no abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo

Apesar da recuperação no volume, o Cantareira permanece na segunda pior faixa de operação, permitindo a retirada limitada a 23 metros cúbicos por segundo. Essa medida visa preservar o sistema diante do baixo nível, que varia entre 20% e 30% de capacidade, classificando-se como estado de atenção grave. A Sabesp complementa o fornecimento com água do reservatório do rio Jaguari, parte da bacia do Paraíba do Sul, para mitigar riscos de desabastecimento.

Medidas de controle e restrições no fornecimento de água para a população

A restrição na captação do Cantareira impõe redução da pressão no fornecimento das 19h às 5h, resultando em torneiras secas para moradores de diversas regiões de São Paulo. Essa prática busca racionalizar o uso e evitar um colapso no abastecimento, apesar do desconforto para a população. O Sistema Integrado Metropolitano, do qual o Cantareira faz parte, apresenta nível médio de 40,65%, mas o estado crítico do Cantareira compromete a estabilidade geral do fornecimento.

Análise das condições climáticas e projeções para o período seco no Sudeste

Os dados do Cemaden indicam que o período de outubro de 2025 a janeiro de 2026 registrou apenas 74% da média histórica de chuvas, com janeiro apresentando 72% do esperado e vazão afluente em torno de 50%. Essas condições reforçam o déficit hídrico persistente que afeta a recuperação plena do sistema. Projeções apontam que, mesmo com precipitação 25% acima da média, o Cantareira chegaria ao fim do período chuvoso com 46% de volume, e com a média histórica, apenas 39%, insuficiente para garantir segurança hídrica durante a estiagem.

Histórico da crise hídrica e importância do monitoramento contínuo

Desde a crise de 2014-2015, o sistema Cantareira enfrenta desafios para manter níveis adequados de água. A situação atual é considerada a mais difícil desde então, evidenciando a necessidade de políticas eficientes de gestão de recursos hídricos, uso racional da água e investimentos em infraestrutura. O acompanhamento constante dos dados hidrológicos pelo Cemaden e Sabesp é fundamental para orientar decisões e minimizar os impactos para a população.

A persistente situação crítica do Cantareira sinaliza que, apesar dos recentes avanços, o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo ainda demanda cuidados e conscientização coletiva para enfrentar períodos de seca e garantir a sustentabilidade do recurso mais vital para a região.