Cardeais dos EUA pedem política externa moral em apelo a Trump

Apelo raro destaca necessidade de ética nas ações internacionais dos Estados Unidos

Cardeais dos EUA pedem política externa moral em apelo a Trump
Foto: grafia mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, assistindo à operação militar na Venezuela que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro d

Três cardeais dos EUA emitiram apelo por política externa moral, citando Venezuela, Ucrânia e Groenlândia, e criticando uso da guerra como instrumento político.

Três cardeais dos Estados Unidos fizeram um apelo incomum e contundente ao governo do presidente Donald Trump, pedindo uma “política externa genuinamente moral” para o país. A declaração conjunta, assinada pelos cardeais Robert McElroy (Washington, D.C.), Blase Cupich (Chicago) e Joseph Tobin (Newark), ressalta a importância de abandonar o uso da guerra como instrumento para interesses nacionais mesquinhos.

Apelo por uma política externa ética

Os cardeais afirmam na declaração que a ação militar deve ser considerada apenas como último recurso e em situações extremas. Eles citaram episódios recentes na Venezuela, Ucrânia e Groenlândia como contextos que exemplificam a necessidade urgente de repensar a postura dos EUA no cenário internacional. O documento faz referência ao discurso do papa Leão XIV, que alertou sobre a disseminação do “zelo pela guerra” e a erosão do princípio que proíbe a violação das fronteiras nacionais, base do sistema internacional pós-Segunda Guerra Mundial.

Críticas à polarização e à política de Trump

A nota dos cardeais destaca que o papel moral dos Estados Unidos está sendo examinado diante da crescente polarização política interna, que tem reduzido as tentativas de construir a paz a meras divisões partidárias. A declaração surge num momento em que o papa e bispos americanos fizeram duras críticas à política de imigração do governo Trump. Robert McElroy, que possui uma tese publicada sobre moralidade e política externa americana, qualificou as deportações como “moralmente repugnantes”.

Preocupações com ações militares na Groenlândia

Além disso, o arcebispo Timothy Broglio, responsável pastoralmente pelos militares americanos, manifestou preocupação sobre possíveis ordens que possam colocar os militares em situações moralmente questionáveis em relação a eventuais operações na Groenlândia. Ele declarou não ver nenhuma justificativa para considerar uma eventual operação dos EUA na Groenlândia como uma guerra justa, reforçando o respeito à Dinamarca, aliada dos Estados Unidos.

Reflexos no debate internacional

Este raro apelo dos cardeais reflete uma voz significativa dentro da Igreja Católica americana e aponta para um debate mais amplo sobre a ética nas relações internacionais dos EUA, especialmente em um momento de tensões crescentes e disputas territoriais. A mensagem sugere um chamado para que as decisões externas do país sejam guiadas por princípios morais e não apenas por interesses políticos ou estratégicos imediatos, contribuindo para a reflexão sobre o papel dos EUA como protagonista global.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: grafia mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, assistindo à operação militar na Venezuela que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro d