Caso Benício: investigação avança após mandado de busca e apreensão

O que aconteceu na morte do menino de 6 anos em Manaus?

Investigação avança após morte de Benício, com mandado de busca e apreensão na casa da médica responsável.

A morte de Benício Xavier, um menino de apenas 6 anos, em Manaus, desencadeou uma série de investigações que colocaram sob escrutínio as práticas médicas em situações críticas. O caso se intensificou na última quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, quando a Polícia Civil do Amazonas executou um mandado de busca e apreensão na residência da médica Juliana Brasil Santos. A profissional, que prescreveu uma dose inadequada de adrenalina ao menino, enfrenta agora diversas acusações, incluindo homicídio doloso e falsidade ideológica.

Contexto do Caso Benício

Benício foi levado ao hospital com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. O tratamento prescrito pela médica incluía uma lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, aplicadas em intervalos de 30 minutos. Segundo relatos do pai, Bruno Freitas, a situação do menino se agravou logo após a primeira dose, levando a uma sequência trágica de eventos que culminaram na sua morte. Após complicações durante o tratamento, Benício foi transferido para a UTI, onde não resistiu e faleceu às 2h55 do domingo.

A investigação revelou que Juliana Brasil não possuía a especialização em pediatria, embora utilizasse um carimbo e assinatura que sugeriam o contrário. Este detalhe levantou questões sobre a ética e a legalidade da atuação da médica, especialmente em um tratamento tão delicado quanto o de uma criança.

Detalhes da Investigação

Durante a operação, foram apreendidos o celular da médica, documentos e o carimbo que indicava sua suposta especialidade. Juliana, em mensagens trocadas com um colega, admitiu o erro ao prescrever a dosagem incorreta de adrenalina. No entanto, sua defesa argumenta que a confissão foi feita sob pressão e em um momento de emoção, o que complicaria a interpretação da responsabilidade legal.

A Justiça, por sua vez, suspendeu cautelarmente o exercício profissional da médica e da técnica de enfermagem Raiza Bentes, que aplicou a adrenalina na veia do menino. Essa decisão foi tomada para evitar novos riscos à saúde pública, especialmente considerando o histórico de atuação da médica.

Implicações e Consequências

Além das acusações de homicídio doloso, Juliana Brasil pode ser responsabilizada por falsidade ideológica e uso de documentos falsos. O delegado Marcelo Martins confirmou que a conduta da médica pode configurar crimes distintos, dada a gravidade da situação.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) permite que médicos obtenham o título de especialista em pediatria sem residência, desde que sejam aprovados em uma prova específica. A defesa da médica alegou que ela está legalmente habilitada para atuar na área, pois se formou em 2019 e estava acumulando experiência prática, com a intenção de realizar a Prova de Título neste mês de dezembro.

Desdobramentos e Acompanhamento

A Polícia Civil continua a investigar o caso, coletando depoimentos e analisando documentos para esclarecer as circunstâncias do atendimento e as responsabilidades criminais. A comunidade e a sociedade em geral aguardam ansiosamente por respostas e por medidas que garantam a segurança dos pacientes, especialmente os mais vulneráveis como as crianças.

O caso Benício se torna um marco para discutir a responsabilidade médica e a necessidade de uma supervisão mais rigorosa nas práticas clínicas, a fim de evitar que tragédias como essa se repitam.