Lulinha busca suspensão da quebra de sigilo no STF após decisão de Flávio Dino

Defesa de Lulinha pede ao STF suspensão da quebra de sigilo, respaldando-se na decisão de Flávio Dino que beneficiou lobista Roberta Luchsinger.
Ratinho Livre retorna ao SBT com estreia em horário nobre

Ratinho Livre, atração emblemática dos anos 90, estreia novamente em horário nobre do SBT, prometendo novidades e muita interação.
Vítima relata culpa após estupro coletivo no Rio de Janeiro e psicóloga esclarece reações

O estupro coletivo no Rio de Janeiro revelou o impacto emocional nas vítimas, incluindo sentimentos de culpa, conforme explica psicóloga especialista.
Quando foi que nos perdemos e a vida real virou apenas intervalo do digital?

Lembro dos anos 2000 e da ascensão da internet. Tudo ainda era novo, limitado e, de certa forma, mágico. O acesso era difícil, lento e quase ritualístico. À medida que os computadores de mesa começaram a ocupar espaço nos lares, a conexão ainda engatinhava. Internet discada, o som metálico do modem, páginas que demoravam minutos para carregar. Era preciso paciência para existir no mundo digital. O modem 3G, quando chegou, parecia revolução. Pela primeira vez podíamos nos conectar com pessoas que não estavam no mesmo espaço físico. Ainda assim, havia limites claros entre estar online e estar vivendo. As redes sociais eram simples e, curiosamente, saudáveis. Existia hora para entrar. Hora para sair. Você respondia um scrap no Orkut, conversava no MSN, e depois voltava para a vida, a verdadeira, palpável, acontecendo fora da tela. Não era necessário responder imediatamente. Não havia ansiedade digital. Você vivia primeiro, conectava depois. A vida seguia em uma velocidade humana, natural, sem pressão, sem vigilância constante. Hoje sabemos, como observa Hartmut Rosa ao falar da aceleração social, que quando tudo acelera demais o mundo deixa de ser vivido e passa apenas a ser processado. Mas algo mudou. Com o avanço das grandes plataformas tecnológicas, a internet deixou de ser ferramenta e passou a ser ambiente. Depois, tornou-se centro. E, silenciosamente, nós nos deslocamos para dentro dela. As plataformas aprenderam a disputar nossa atenção, depois nosso tempo, depois nosso comportamento e, por fim, nossa própria percepção de realidade. ShoshanaZuboff chamou isso de capitalismo de vigilância, um sistema em que nossa experiência cotidiana se transforma em dado, previsão e mercadoria. O que antes era refúgio da vida real tornou-se o contrário. A vida real passou a ser o breve intervalo entre notificações. Hoje não entramos mais na internet. Nós vivemos dentro dela. A validação virou número. A presença virou status. O silêncio virou ausência. E o tempo, nosso tempo, passou a ser fragmentado em telas, feeds e algoritmos que nunca dormem. Byung Chul Han descreve esse estado como a sociedade do cansaço, onde não somos mais explorados por outros, mas por nós mesmos, sempre conectados, sempre disponíveis, sempre insuficientes. Talvez não tenha existido um momento exato em que nos perdemos. Talvez tenha sido gradual, confortável, quase imperceptível. Quando percebemos, já não estávamos apenas conectados. Estávamos dependentes. Mas toda aceleração cobra um preço. E talvez o cansaço silencioso que atravessa nossa época seja, como diria Zygmunt Bauman, o sintoma de uma modernidade líquida em que tudo flui rápido demais para criar raízes. Desacelerar, então, talvez comece pequeno. Reaprender a atravessar um dia sem registrar tudo. Permitir que o silêncio não seja vazio. Recuperar conversas sem telas sobre a mesa. Caminhar sem destino e sem fones. Olhar demoradamente para algo que não emite luz. Hartmut Rosa chama isso de ressonância, a capacidade de voltar a sentir o mundo em vez de apenas consumi-lo. Desacelerar pode ser reaprender a habitar o tempo. Porque a vida, a vida mesma, ainda acontece fora do feed. Ela não vibra, não notifica, não viraliza. Mas respira. E talvez se trate apenas disso. Voltar a respirar antes que a pressa nos esqueça de viver.
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