CCJ aprova propostas para acabar com escala 6×1 no trabalho

Comissão admite avanços constitucionais para reduzir jornada e melhorar qualidade de vida dos trabalhadores

CCJ aprova propostas para acabar com escala 6x1 no trabalho
Deputado Reginaldo Lopes participa da sessão da CCJ na Câmara dos Deputados Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

CCJ aprova admissibilidade de PECs que propõem fim da escala 6×1 e redução da jornada semanal para 36 horas.

Contexto da aprovação das propostas contra a escala 6×1 na CCJ

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) a admissibilidade de duas propostas que buscam eliminar a escala 6×1 na jornada de trabalho. A escala 6×1, que atualmente permite que trabalhadores atuem seis dias consecutivos com apenas um dia de descanso, tem sido alvo de críticas pelo impacto negativo na saúde mental e na qualidade de vida do trabalhador. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e a deputada Erika Hilton (Psol-SP) são os principais nomes por trás das propostas que agora seguirão para análise em comissão especial e posterior votação em plenário.

Detalhes das propostas de emenda à Constituição aprovadas

A primeira proposta, PEC 221/19, apresentada por Reginaldo Lopes, prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos. Já a PEC 8/25, de autoria de Erika Hilton, propõe uma escala de quatro dias de trabalho por semana, limitando a jornada a 36 horas nesse período. Ambas têm como objetivo melhorar as condições laborais e promover uma melhor distribuição do tempo de descanso e lazer para os trabalhadores brasileiros.

Relevância do movimento “Vida Além do Trabalho” para a tramitação das PECs

Essas iniciativas ganharam força com o movimento “Vida Além do Trabalho”, que tem mobilizado a sociedade para repensar os limites da jornada laboral e seus efeitos na saúde mental. O movimento defende o fim da escala 6×1 como forma de garantir um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal, além de reduzir o estresse e doenças relacionadas à sobrecarga de trabalho. A votação simbólica e unânime na CCJ reforça o impacto social dessas propostas.

Projeto de lei complementar do Executivo e o diálogo com as PECs

Além das PECs, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou recentemente um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para reduzir a jornada semanal para 40 horas e acabar com a escala 6×1. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que, caso a PEC seja aprovada, o PL pode se tornar obsoleto. No entanto, ele acredita que o PL poderá avançar mais rapidamente, garantindo mudanças imediatas, enquanto a PEC serve para consolidar a redução da jornada e evitar retrocessos futuros.

Desafios e perspectivas na votação das propostas no plenário

A tramitação das PECs envolve etapas rigorosas, incluindo a aprovação em comissão especial e a exigência de quórum qualificado no plenário da Câmara – três quintos dos votos em dois turnos, o que corresponde a 308 deputados. A oposição pode tentar barrar as mudanças, tornando o processo mais complexo e prolongado. Por sua vez, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a Casa seguirá com a tramitação das PECs mesmo com a existência do PL do Executivo, respeitando a prerrogativa do governo.

Impactos previstos para o mercado de trabalho e qualidade de vida dos trabalhadores

Se aprovadas, essas mudanças significariam uma transformação significativa no mercado de trabalho brasileiro, promovendo jornadas menores e maior descanso semanal para os trabalhadores. Espera-se que a redução da jornada contribua para a diminuição do adoecimento relacionado ao trabalho e para a valorização da saúde mental, além de estimular a produtividade e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O debate segue aberto, refletindo as demandas sociais por condições laborais mais humanas e sustentáveis.