Célia Xakriabá aciona Conselho de Ética após declaração de Coronel Meira

Deputada denunciou ato de violência política de gênero após fala machista do colega

Célia Xakriabá irá ao Conselho de Ética após Coronel Meira dizer que ela "merecia uma bofetada".

Célia Xakriabá denuncia Coronel Meira por violência política de gênero

A deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) anunciou, na última quinta-feira (27), que levará ao Conselho de Ética da Câmara e à Procuradoria-Geral da República uma representação contra o deputado Coronel Meira (PL-PE). A acusação é de violência política de gênero, motivada por uma declaração machista feita por Meira durante uma reunião do colegiado, onde ele afirmou que Xakriabá “merecia uma bofetada”.

Contexto da declaração de Coronel Meira

A fala de Meira ocorreu no momento em que o Conselho de Ética analisava a rejeição de uma denúncia apresentada pelo próprio deputado contra a parlamentar. A declaração foi proferida em um encontro que examinava um processo movido contra Xakriabá pelo PL, em que se alegava que ela teria agredido o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) durante a votação de um projeto que flexibilizava regras de licenciamento ambiental, em 17 de julho. O PL argumentou que Xakriabá teria avançado com uma caneta, causando um ferimento na mão de Meira.

Repercussão e defesa de Célia Xakriabá

A deputada defendeu que a sua versão dos fatos prevaleceu com o arquivamento da denúncia, afirmando que não houve agressão. Ela ressaltou que a declaração de Meira no Conselho expõe comportamentos machistas e misóginos que persistem no Parlamento, atingindo especialmente mulheres indígenas, negras e periféricas. “Quando um deputado diz que uma mulher ‘merecia uma bofetada’, ele não atinge apenas a mim, atinge todas as mulheres que ousam ocupar esse espaço e defender o que acreditam”, enfatizou Xakriabá.

Medidas propostas por Xakriabá

Diante da situação, a deputada pretende solicitar ao Conselho de Ética que adote as medidas disciplinares necessárias frente à fala do parlamentar. Xakriabá argumenta que agressões verbais e simbólicas configuram sim violência política, e que a responsabilização é essencial para evitar que tais práticas continuem a ser normalizadas nas instituições. A ação de Xakriabá visa não apenas a sua defesa, mas também a proteção e respeito a todas as mulheres no ambiente político.

Conclusão

A representação contra Coronel Meira já começa a gerar debates no meio político e pode trazer à tona questões importantes sobre a violência de gênero no espaço legislativo. A expectativa é que o Conselho de Ética analise a situação com a seriedade que o caso demanda, refletindo sobre a responsabilidade dos parlamentares em suas falas e atitudes.