CEO da inDrive critica regulação que favorece Uber e 99 em detrimento de motoristas

Stefano Mazzaferro argumenta que nova lei penaliza quem paga melhor aos motoristas e sugere cobrança previdenciária sobre receita

CEO da inDrive critica regulação que favorece Uber e 99 em detrimento de motoristas
CEO da inDrive critica regulação que favorece Uber e 99. Foto: Bruno Santos/Folhapress

Regulação de apps gera polêmica entre plataformas; inDrive sugere mudança na contribuição previdenciária dos motoristas.

CEO da inDrive critica regulação de apps por favorecer Uber e 99

Em um debate acalorado sobre a regulação de aplicativos de transporte, Stefano Mazzaferro, CEO da inDrive no Brasil, expressou sua preocupação com o Projeto de Lei PLP 152/2025, que regulamenta o trabalho em plataformas como Uber e 99. De acordo com Mazzaferro, a proposta pune quem remunera melhor os motoristas e favorece as gigantes do setor.

O executivo destacou que, ao definir a receita mínima dos motoristas como base de cálculo para as contribuições ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o projeto cria uma situação anticoncorrencial. “Isso consolida e concentra ainda mais o mercado, incentivando as plataformas a aumentar taxas e, consequentemente, pagar menos aos motoristas”, afirmou Mazzaferro.

Propostas da inDrive e reações do setor

A inDrive, por outro lado, propõe que a contribuição das empresas ao INSS seja baseada na receita, ao invés do ganho líquido dos motoristas. Mazzaferro argumenta que essa abordagem seria mais justa e beneficiaria aqueles que oferecem melhores salários. O modelo de negócios da inDrive permite que os motoristas aceitem ou rejeitem propostas de corridas, promovendo maior liberdade e controle sobre seus ganhos.

O relator do projeto, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), declarou que o texto será adaptado para contemplar a diversidade de modelos de intermediação existentes no mercado. A Amobitec (Associação Brasileira das Empresas de Mobilidade), que representa as principais plataformas, também se posicionou contra a mudança na base de cálculo da Previdência, afirmando que isso não garantiria a inclusão previdenciária dos motoristas.

O impacto da regulação nos motoristas

Outra preocupação levantada por Mazzaferro é que a regulação pode impactar a liberdade dos motoristas, que se veem como pequenos empreendedores. Eles desejam poder escolher quando e como trabalham. A contribuição previdenciária, segundo o CEO, pode ser vista como uma carga adicional que afetará os ganhos dos motoristas.

“Não somos contra a contribuição, mas acreditamos que deve ser feita de forma que não seja anticoncorrencial”, enfatizou. A inDrive também defende regras mais rígidas para plataformas que exercem maior controle sobre as operações, como definir preços e gerenciar corridas.

Considerações finais sobre o futuro da indústria

Mazzaferro acredita que a regulação deve ser um ponto de partida para discussões mais amplas sobre o futuro do trabalho em aplicativos. Ele sugere maior transparência nas taxas e uma estrutura que não puna os motoristas que trabalham arduamente.

Com a proposta de regulação avançando no Congresso, a inDrive se posiciona como uma alternativa que busca equilibrar o cenário competitivo e promover melhores condições para os motoristas. O debate está longe de ser encerrado, e as próximas semanas serão cruciais para definir o futuro da mobilidade no Brasil.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Bruno Santos/Folhapress