Executivos das maiores fabricantes de veículos do país alertam sobre riscos à indústria nacional com a prorrogação de incentivos tributários que beneficiam importação de kits desmontados
CEOs das maiores montadoras brasileiras enviam carta a Lula contra prorrogação de benefícios que favorecem importação em detrimento da produção nacional.
CEOs das montadoras brasileiras manifestam preocupação sobre benefícios fiscais que favorecem BYD
Em 16 de janeiro de 2026, os presidentes das quatro maiores montadoras de veículos com operações no Brasil enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertando para os riscos dos benefícios fiscais que favorecem a importação de kits desmontados, como os usados pela BYD. A medida, vigente até 31 de janeiro, zerou temporariamente o imposto de importação para kits CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) de veículos elétricos, mas para os executivos, essa política pode prejudicar a indústria nacional a longo prazo.
Entenda os kits CKD e SKD e seu impacto na indústria automotiva brasileira
Os kits CKD e SKD são conjuntos de peças para montagem local de veículos. Enquanto no modelo CKD o veículo chega completamente desmontado, exigindo maior trabalho industrial no país, o SKD traz o carro parcialmente montado, reduzindo etapas produtivas locais e empregos. A redução do imposto de importação para esses kits, segundo os executivos, tende a favorecer empresas que importam veículos semi ou totalmente montados, usando o Brasil apenas para integração, em detrimento da cadeia produtiva nacional.
Investimentos da BYD e influência política em torno dos benefícios fiscais
A BYD anunciou em 2025 investimentos de R$ 5,5 bilhões na transformação de uma antiga fábrica da Ford em Camaçari (BA), posicionada como a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina, com capacidade para 150 mil veículos por ano. A empresa foi a principal beneficiada pela isenção fiscal, o que motivou resistência das concorrentes. Nos bastidores, a defesa da prorrogação do benefício conta com o apoio do ministro da Casa Civil, Ruy Costa, ligada aos investimentos no estado da Bahia.
Pressões e debates no governo sobre a renovação do benefício fiscal
Enquanto o Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, apresenta cautela quanto à extensão do benefício, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) prevê reunião com o presidente da BYD para discutir o tema. Os executivos das montadoras destacam que a importação deve ser um instrumento transitório para a introdução de novos produtos, evitando que o Brasil se torne um país que prioriza a importação em detrimento da produção local e do fortalecimento da indústria.
Consequências estruturais para a indústria automotiva e mercado de trabalho
A cadeia produtiva brasileira do setor automotivo, que emprega mais de 1,3 milhão de pessoas e uma rede ampla de fornecedores, foi construída ao longo de décadas e depende de políticas públicas coerentes para sua preservação. Os executivos alertam que as decisões tomadas atualmente terão impactos duradouros, influenciando a competitividade, o emprego e o desenvolvimento tecnológico do país. A não renovação do benefício é vista como essencial para manter a isonomia e a sustentabilidade da indústria nacional frente às transformações do setor.





