Formado em Filosofia pela PUC, o curitibano recusa estrelismo e defende valorização de ingredientes nacionais na culinária

Chef que comanda o Avenida Paulista em Curitiba começou na cozinha aos 10 anos no Maranhão por necessidade e hoje defende liderança humanizada
Well Ferreira, chef do respeitado restaurante Avenida Paulista em Curitiba, começou sua trajetória na cozinha aos 10 anos no interior do Maranhão por necessidade e cuidado. Filho de pais separados, cabia a ele preparar o almoço para os irmãos menores enquanto a mãe trabalhava.
Antes de se consolidar na carreira, Ferreira viveu experiências diversas. Trabalhou no mercado, foi ajudante de pedreiro e enfrentou a lida pesada na roça. Em Sinop, no Mato Grosso, trabalhou na cozinha de uma fazenda isolada, sem energia elétrica.
“O dono dizia que era difícil, que era longe, mas eu aceitei sem medo. Na vida e na cozinha, a gente não pode ter medo de encarar o trabalho”, relembra o chef.
A busca por conhecimento o levou a Ribeirão Preto e Bauru, no interior de São Paulo, até desembarcar na capital paranaense em 2017 para prestar vestibular em Filosofia na PUC. A faculdade dividia espaço com os turnos intensos nos restaurantes. Em Curitiba, passou pelo Hai-Yo sob comando de Kazuo Harada, enfrentou demissão durante a pandemia fazendo pães e bolos artesanais para pagar o aluguel, refinou conhecimentos em culinária árabe no Nayme e consolidou técnica no Graciosa, no Clube Curitibano e no Avenida Paulista, onde hoje comanda a cozinha.
Com pós-graduação em Gastronomia Brasileira Contemporânea, Ferreira recusa o rótulo romantizado do “chef espetáculo”. Para ele, a liderança na cozinha exige empatia, humildade e disposição para encarar jornadas de 12 a 15 horas em pé.
“Ser chef não é só colocar uma dólmã. É saber acolher o imigrante que chegou agora, ensinar a pegar na faca, reconhecer o trabalho da moça que está na pia ou na salada. O estrelismo abandona a nossa essência de ser cozinheiro. Se tenho algo para ensinar, tenho o dobro para aprender todos os dias”, afirma.
Essa visão humanizada reflete diretamente no prato. O chef defende com orgulho a valorização dos ingredientes nacionais e o fim do preconceito com temperos regionais, como coentro, tucupi e cumaru. Para Ferreira, cozinhar é um ato de entrega que une técnica à intenção.






