CNI apresenta demandas à indústria para candidatos nas eleições de 2026

Confederação propõe plano de longo prazo com foco em produtividade e transição ecológica. Setor enfrenta queda de participação no PIB de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025.

CNI apresenta demandas à indústria para candidatos nas eleições de 2026
Fábrica industrial no Brasil. Foto: Élida Oliveira

A Confederação Nacional da Indústria apresentou aos candidatos um diagnóstico sobre desindustrialização do país e reivindicações prioritárias para o setor.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou aos candidatos às eleições de 2026 um diagnóstico sobre a situação da indústria brasileira e suas principais reivindicações. A entidade propõe um plano de desenvolvimento de longo prazo com foco no aumento da produtividade, inserção internacional, transição ecológica e segurança jurídica.

Segundo a CNI, o país enfrenta um processo prolongado e precoce de desindustrialização, agravado pela dificuldade de sustentar ganhos de produtividade e inovação. A avaliação da confederação é que o país precisa converter a política industrial em política de Estado, nos mesmos moldes do apoio conferido ao agronegócio.

“O caminho para o crescimento sustentado passa, necessariamente, pela elevação dos investimentos privados, pelo aumento da produtividade e pela inovação”, afirma Antonio Ricardo Alvarez Alban, presidente da CNI, no documento.

A CNI destaca a queda contínua da participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A participação encolheu de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025. A produtividade total recuou 10,2% entre 2000 e 2024, em forte contraste com o avanço de competidores diretos como Índia e México. O país também perdeu espaço na complexidade econômica, caindo da 29ª para a 78ª posição no ranking global desde 1995.

Apesar do encolhimento relativo, a indústria de transformação ainda responde por 47,5% das exportações brasileiras de bens e serviços, por 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e por 26,6% da arrecadação de tributos federais, de acordo com a confederação. Há também o potencial multiplicador da área: a cada R$ 1 investido na manufatura, R$ 2,69 são gerados na economia, superando a geração de valor da agropecuária e dos serviços.

A produção industrial recuou 1,2% em agosto, comparado ao mesmo mês do ano anterior. Doze dos dezoito locais pesquisados apontaram redução na produção no período.