Entidade revisa projeção para o setor após corte de recursos e destaca impacto no agronegócio

CNseg revisa para baixo a projeção do mercado de seguro rural em 2026, prevendo queda de 3,9% devido à redução dos recursos orçamentários.
Revisão da projeção do mercado de seguro rural para 2026
A CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) revisou para baixo a projeção do mercado de seguro rural em 2026, passando a prever uma queda de 3,9%, depois de um recuo de 8,8% em 2025. O presidente da entidade, Dyogo Oliveira, destacou que essa revisão está diretamente ligada à falta de recursos no orçamento destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural, cenário que compromete a sustentabilidade do setor e a proteção dos produtores.
Impactos da redução orçamentária na subvenção do seguro rural
A falta de aporte financeiro no orçamento público para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) tem causado um retrocesso significativo na cobertura do seguro rural. Entre 2021 e 2025, a área segurada caiu de 13,7 milhões para 3,2 milhões de hectares, enquanto a taxa de cobertura do PSR despencou de 16,3% para 3,3%. Essa redução orçamentária, que segundo Dyogo Oliveira foi de cerca de 50%, encarece o custo dos seguros e afasta potenciais seguradoras do mercado, devido ao aumento do risco e da volatilidade.
Contexto do agronegócio brasileiro e a necessidade de seguro rural
O agronegócio brasileiro está em um momento de transição, com maior dependência do financiamento privado e exposição crescente aos riscos climáticos. Dyogo Oliveira alerta que, com o fim do financiamento público predominante, os produtores, especialmente os pequenos e médios, ficam mais vulneráveis a perdas de safra e dificuldades financeiras, visto que não dispõem mais das mesmas opções de renegociação e parcelamento de dívidas. Essa fragilidade se reflete no aumento de processos de recuperação judicial no setor.
Propostas para fortalecer o mercado de seguro rural
Para reverter o atual cenário, a CNseg apoia o projeto de lei relatado pelo deputado Pedro Lupion e de autoria da senadora Tereza Cristina, que prevê a proibição do contingenciamento orçamentário do seguro rural e a criação de um fundo estabilizador. Esse fundo seria formado por contribuições privadas e aportes públicos, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos preços do seguro em anos de perdas climáticas severas. Além disso, o projeto sugere maior regionalização das soluções e adaptação dos produtos às diferentes realidades do campo.
Perspectivas para o mercado segurador em 2026
Apesar da queda prevista no mercado de seguro rural, o mercado segurador como um todo projeta um crescimento nominal de 7,4% para 2026, abaixo da estimativa anterior de 8,5%. A arrecadação do segmento rural alcançou R$ 12,91 bilhões em 2025, mas enfrenta desafios decorrentes da diminuição da área segurada e da redução da competitividade no setor. A CNseg alerta que a continuidade do cenário atual pode comprometer a proteção do agronegócio brasileiro, setor fundamental para a economia nacional.
Fonte: cnnbrasil.com.br





