Atleta ucraniano poderá usar braçadeira preta nos Jogos Olímpicos de Inverno após proibição do capacete com fotos de mortos no conflito

O COI proibiu o capacete com fotos de mortos na guerra usado por Vladyslav Heraskevych, mas autorizou braçadeira preta para lembrança.
A decisão do COI sobre o capacete de Vladyslav Heraskevych
O capacete de Vladyslav Heraskevych, que trazia fotos dos atletas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia, foi proibido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para o uso na competição de skeleton durante os Jogos Olímpicos de Inverno. A decisão, anunciada em 10 de fevereiro de 2026, visa preservar a neutralidade e a separação da política e do esporte nos campos de competição. Como alternativa, o atleta poderá usar uma braçadeira preta para prestar homenagem às vítimas do conflito.
Contexto da manifestação e regras do COI
Vladyslav Heraskevych, 27 anos, é conhecido por sua postura ativa contra a guerra, tendo exibido em Pequim 2022 um cartaz com a frase “Não à guerra na Ucrânia” pouco antes da invasão russa. O capacete que exibia imagens de colegas atletas mortos foi utilizado durante treinos, mas gerou controvérsia quanto à sua permissão para uso durante as provas oficiais. A regra 50.2 da Carta Olímpica proíbe expressamente manifestações políticas, religiosas ou raciais nas áreas de competição e pódios, buscando manter o foco exclusivamente nas performances esportivas.
Impactos e reações à proibição do capacete
O porta-voz do COI, Mark Adams, explicou que a medida busca manter os Jogos livres de interferências políticas para o benefício de todos os atletas. Ele ressaltou que o COI tentou atender ao pedido do atleta com “compaixão” ao permitir o uso da braçadeira preta como homenagem simbólica. Entretanto, Heraskevych manifestou insatisfação, qualificando a decisão como “tratamento injusto” e ressaltando que o capacete não configurava propaganda discriminatória ou política, mas sim uma homenagem.
Quem são as vítimas homenageadas no capacete
O capacete traz retratos de diversos atletas ucranianos falecidos no conflito, incluindo a levantadora de peso adolescente Alina Perehudova, o boxeador Pavlo Ischenko, o jogador de hóquei no gelo Oleksiy Loginov, o ator e atleta Ivan Kononenko, o mergulhador e treinador Mykyta Kozubenko, o atirador Oleksiy Habarov e a dançarina Daria Kurdel. Vários deles foram amigos pessoais de Heraskevych, o que reforça o caráter pessoal da homenagem.
O panorama esportivo em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia
Desde a invasão russa, atletas da Rússia e Belarus tiveram restrições severas para participação em competições internacionais. O COI vem implementando um retorno gradual desses atletas, mas sob condições rigorosas, buscando equilibrar a neutralidade política e a continuidade das competições. Moscou e Minsk defendem a manutenção do esporte separado de conflitos internacionais, enquanto o episódio envolvendo o capacete de Heraskevych evidencia os desafios dessa separação.
O equilíbrio entre expressão pessoal e regras olímpicas
Este episódio reflete o delicado equilíbrio entre a liberdade de expressão dos atletas e a necessidade de preservar o ambiente esportivo livre de manifestações que possam gerar conflitos ou influências políticas. A permissão da braçadeira preta simboliza uma tentativa do COI de conciliar respeito às vítimas e cumprimento das normas, mas as divergências permanecem evidentes na percepção dos atores envolvidos.
Preparação para a competição e perspectivas futuras
Com a competição de skeleton iniciando em 12 de fevereiro, Heraskevych segue seus treinamentos na Itália, ajustando-se às determinações do COI. O debate em torno do capacete poderá repercutir em futuras discussões sobre as políticas de manifestações nos Jogos Olímpicos, principalmente em tempos de conflitos geopolíticos. A situação destaca a crescente complexidade da relação entre esporte, política e memória em eventos globais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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