Conflito no audiovisual: Diretor da Ancine reage a críticas de Paula Lavigne

Debate sobre regulação do streaming esquenta entre governo e artistas.

Conflito no audiovisual: Diretor da Ancine reage a críticas de Paula Lavigne
Diretor da Ancine Paulo Alcoforado em evento. Foto: Mônica Bergamo

Paulo Alcoforado rebate críticas de Paula Lavigne sobre regulação do streaming e defende a importância da manifestação artística.

Em um cenário de tensão crescente entre o governo federal e o setor audiovisual, o diretor da Ancine, Paulo Alcoforado, se posicionou em resposta às críticas feitas pela produtora Paula Lavigne. A polêmica começou após o ator Wagner Moura publicar um vídeo em que critica a regulação do streaming e conclama o governo a se envolver mais ativamente nas discussões. Alcoforado, em sua defesa, enfatizou que Moura não agiu sob sua orientação, mas sim como um artista autônomo que expressa suas convicções.

O embate entre artistas e governo

Alcoforado se viu compelido a esclarecer que, embora tenha conversado com Wagner Moura sobre a situação da regulação do streaming, não lhe deu orientações para atacar o governo. Em um comunicado, ele afirmou que é “um desrespeito imaginar que ele agiu por minha orientação”. Essa declaração reflete uma preocupação com a autonomia dos artistas, que, segundo Alcoforado, devem ter liberdade para expressar suas opiniões sobre questões cruciais para o setor.

A produtora Paula Lavigne, mulher de Caetano Veloso, havia mencionado Alcoforado em um áudio, insinuando que ele, junto com outras figuras do setor, estaria conspirando contra a ministra da Cultura, Margareth Menezes. A resposta de Alcoforado foi de reprovação às acusações, destacando a seriedade do trabalho no audiovisual e a importância do diálogo construtivo.

Contexto da regulação do streaming

Desde o início do ano, a regulação do streaming tem sido um tema controverso, com cineastas e profissionais da área criticando a atuação do Ministério da Cultura. A crise se intensificou após Wagner Moura afirmar que as propostas atuais são “muito ruins” para o setor. O vídeo gerou reações do governo, com o senador Randolfe Rodrigues rebatendo as críticas e defendendo o projeto aprovado na Câmara dos Deputados, que estabelece uma alíquota de 4% para plataformas como Netflix e Prime Video.

A proposta prevê que as grandes plataformas possam deduzir parte do valor devido investindo em produções brasileiras, um ponto que Moura criticou, chamando de “bizarro” que esse investimento venha da própria taxação.

Consequências e diálogos futuros

A complexidade da situação foi mais uma vez ressaltada por Alcoforado, que mencionou que a regulação do streaming é um dos assuntos mais importantes para o audiovisual brasileiro desde a regulação da TV por assinatura em 2011. Ele enfatizou que a discussão não deve ser reduzida a uma disputa pessoal, mas sim encarada como uma questão de interesse nacional.

Com a regulação do streaming ainda em debate no Senado, Alcoforado fez um apelo para que a discussão continue de maneira aberta e que todos os envolvidos busquem um consenso que beneficie o setor como um todo. Em meio a isso, cineastas como Walter Salles manifestaram apoio às críticas de Moura, evidenciando que esse debate é mais do que uma questão de opinião, mas sim um reflexo das tensões existentes entre a arte e a política no Brasil contemporâneo.

Fonte: redir.folha.com.br

Fonte: Mônica Bergamo