Conflito no Irã dificulta cortes na taxa Selic, afirma diretor do Banco Central

Nilton David destaca que choque de preços causado pela guerra reduz espaço para afrouxamento dos juros no Brasil

Conflito no Irã dificulta cortes na taxa Selic, afirma diretor do Banco Central
Diretor de Política Monetária do Banco Central fala sobre impactos do conflito no Irã. Foto: Adriano Machado

Conflito no Irã gera choque inflacionário que limita possível corte da taxa Selic, alerta diretor do Banco Central em evento financeiro.

Impactos do conflito no Irã sobre o corte da taxa Selic

O corte da taxa Selic enfrenta resistência devido ao choque inflacionário provocado pelo conflito no Irã, conforme destacou Nilton David, diretor de Política Monetária do Banco Central, em evento promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo. O diretor mencionou que, apesar da redução recente da Selic para 14,75% ao ano, o cenário internacional atual exige cautela, já que a guerra gera pressões inflacionárias que podem ter efeitos secundários duradouros.

Estratégia do Banco Central para manter juros em patamar restritivo

Nilton David explicou que o Banco Central iniciou um processo de calibração da taxa Selic, sem indicar um afrouxamento real, pois o objetivo é manter a política monetária em território restritivo para controlar a inflação. Segundo ele, essa postura é necessária para evitar o risco de perda de controle sobre a estabilidade dos preços, reforçando o compromisso da autarquia em atingir a meta inflacionária mesmo diante das adversidades geopolíticas.

Efeitos do choque de preços na economia brasileira e global

O diretor ressaltou que o aumento do preço do petróleo e outros impactos associados ao conflito tendem a reduzir a atividade econômica mundial, não beneficiando o PIB brasileiro. A alta do dólar em relação ao real, embora acompanhando movimentos globais, apresenta uma volatilidade elevada, o que dificulta ainda mais o trabalho do Banco Central para controlar a inflação. David destacou que a volatilidade cambial é um desafio adicional para a política monetária nacional.

Volatilidade cambial e suas consequências para a política monetária

Desde o início do conflito que envolve EUA, Israel e Irã, o real tem mostrado desvalorização frente ao dólar, porém sem se afastar dos padrões observados em moedas pares. O diretor observou que o real possui um beta elevado, o que significa que suas oscilações podem ser mais intensas. Essa volatilidade interfere no processo de redução da inflação e exige que o Banco Central atue de forma a não exacerbar as flutuações no câmbio.

Perspectivas para a inflação e desempenho da política monetária

Nilton David alertou que a piora nas previsões de inflação para os anos seguintes pode indicar uma expectativa de que o Banco Central não reagirá aos efeitos secundários da inflação, o que é um equívoco. Ele reforçou que a instituição buscará o cumprimento da meta inflacionária, utilizando os instrumentos disponíveis para manter a estabilidade econômica, mesmo diante das incertezas causadas pelo cenário internacional adverso.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Adriano Machado