Congonhas suspende alvarás da Vale após vazamentos em minas

Prefeitura exige medidas emergenciais para retomada das operações após dois incidentes em menos de 24 horas

Congonhas suspende alvarás da Vale após dois vazamentos em menos de 24 horas nas minas de Fábrica e Viga, exigindo medidas emergenciais.

A Prefeitura de Congonhas (MG) suspendeu os alvarás de funcionamento das atividades minerárias da Vale no município após dois vazamentos ocorrerem em menos de 24 horas nas minas de Fábrica e Viga, no domingo (25.jan). A decisão foi oficializada em 26 de janeiro pela Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, que autuou a empresa e determinou a suspensão provisória dos alvarás até que todas as medidas exigidas sejam adotadas.

Vazamentos e impacto ambiental

O primeiro vazamento ocorreu por volta de 1h40 na mina de Fábrica, seguido do segundo às 18h na mina de Viga. Em ambos os casos, a Vale demorou horas para comunicar a prefeitura sobre os incidentes. O material extravasado — cerca de 263 mil metros cúbicos de lama — deixou marcas visíveis no leito do córrego Goiabeiras e atingiu rios da região, além de estruturas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na unidade Pires. O alagamento afetou almoxarifado, oficinas mecânicas, acessos internos e áreas de embarque.

Medidas exigidas pela prefeitura

A Prefeitura de Congonhas cobra rapidez e transparência na divulgação das informações e estabeleceu condicionantes técnicas para a recuperação dos alvarás. Entre elas, está a apresentação em até cinco dias de um Plano Técnico de Monitoramento dos Sumps e a garantia de acesso integral ao poder público aos dados de turbidez e nível da água. Foi montada uma sala de crise com participação das defesas civis de Congonhas e Ouro Preto, do Corpo de Bombeiros e do Ministério Público estadual para acompanhar os desdobramentos.

Posição da Vale

Em nota, a Vale confirmou o recebimento do ofício da prefeitura que determina a suspensão das operações nas unidades afetadas e afirmou ter sido notificada a adotar medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental. A empresa ressaltou o compromisso com a segurança das pessoas e das operações, garantindo que suas barragens seguem estáveis e monitoradas 24 horas por dia. As atividades na mina de Fábrica e na mine de Viga foram suspensas e a mineradora declarou que responderá às demandas dentro dos prazos estipulados.

Controvérsia sobre causas dos vazamentos

A Vale atribui os incidentes às chuvas intensas, que superaram 280 milímetros em quatro dias, volume bastante acima da média histórica para janeiro na região. O vice-presidente Executivo Técnico da empresa, Rafael Bittar, afirmou que mais de 100 mm caíram em poucas horas na área industrial da mina de Viga. Por outro lado, o prefeito Anderson Cabido (PSB) contestou essa justificativa, argumentando que o volume de chuva era previsível e não exime a mineradora de responsabilidade pelos vazamentos.

Monitoramento e ações conjuntas

Além da atuação da Prefeitura de Congonhas, a Prefeitura de Ouro Preto também monitora a situação, uma vez que parte do extravasamento ocorreu na divisa entre os dois municípios. Em nota, Ouro Preto informou que equipes da Secretaria de Segurança e Trânsito e da Secretaria de Meio Ambiente estiveram no local para avaliações e que não houve vítimas, mas que um escritório foi alagado. As prefeituras trabalham em conjunto para sanar os danos causados pelo desastre.

Esses eventos ressaltam a importância do rigor no monitoramento das operações minerárias e da transparência na comunicação dos riscos ambientais, especialmente em regiões suscetíveis a eventos climáticos extremos. A suspensão dos alvarás pela Prefeitura de Congonhas demonstra a pressão por uma gestão ambiental mais responsável e a necessidade de medidas emergenciais para evitar danos maiores.