Decisão foi tomada após acordo entre governo e partidos, beneficiando estados com dívidas significativas
Congresso Nacional derrubou vetos de projeto que facilita pagamento das dívidas dos estados com a União.
Congresso aprova derrubada de vetos ao projeto de dívidas estaduais
O Congresso Nacional, em Brasília, decidiu nesta quinta-feira (27) derrubar parte dos vetos ao projeto que estabeleceu o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Essa ação, resultante de um acordo entre o governo e diversos partidos, busca facilitar a regularização das dívidas que os estados possuem com a União, um tema que tem gerado intensos debates nos últimos anos.
Detalhes sobre o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados
O Propag, sancionado em janeiro de 2025, foi criado para oferecer condições mais favoráveis para que as unidades da federação consigam quitar suas dívidas. Com a derrubada de seis vetos à Lei Complementar 212, os estados ganharão mais flexibilidade na forma de pagamento. No entanto, 24 vetos permanecem em vigor, o que indica que nem todas as demandas foram atendidas.
De acordo com o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), o projeto trará benefícios significativos a todos os estados, com ênfase em locais como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul. Ele ressaltou que o objetivo é incentivar a adesão ao programa, que se encerra no dia 31 de dezembro.
Veto derrubado: uso do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional
Um dos vetos que foram derrubados permite que os estados utilizem o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) para pagar suas dívidas. Inicialmente, o governo alegou que essa prática seria inconstitucional, mas a decisão do Congresso abre novas possibilidades para a aplicação deste recurso em prol da regularização fiscal dos estados.
Outro veto que não se manteve estabelece que a União deve assumir o pagamento de operações de crédito que tenham garantias da própria União. Isso representa uma forma de aliviar a carga financeira sobre os estados, facilitando a renegociação de dívidas antigos.
Implicações financeiras para os estados
Com a nova legislação, os estados poderão quitar suas dívidas em até 30 anos, com juros que variam de 0% a 2% ao ano, além da inflação. Essa taxa representa uma queda significativa em comparação ao programa anterior, que apresentava uma taxa de 4% mais a inflação. Essa mudança é vista como uma oportunidade crucial para que estados em dificuldades financeiras consigam recuperar a saúde fiscal.
Além disso, os estados terão a opção de quitar até 20% do saldo devedor através da transferência de ativos ou pela utilização do Fundo de Equalização Federativa, que visa compensar estados em situações financeiras desfavoráveis.
Cálculos do Tesouro Nacional e os desafios fiscais
Segundo o Tesouro Nacional, as dívidas estaduais somam mais de R$ 820 bilhões, sendo que uma grande parte desse total refere-se a apenas cinco estados: São Paulo (R$ 291,7 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 178,5 bilhões), Minas Gerais (R$ 164,1 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 101,6 bilhões) e Goiás (R$ 19,0 bilhões). Essa concentração de dívidas em poucos estados destaca a urgência de soluções eficazes para a crise fiscal que afeta muitos entes federativos.
A aprovação do Propag representa um passo importante na luta contra a crise fiscal e na promoção de um ambiente mais estável para investimentos públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação, que têm sido historicamente prejudicadas pela falta de recursos. O dia de hoje é, portanto, um momento marcante para a política econômica brasileira, com implicações que poderão ser sentidas nos próximos anos.





